Feito Para Afundar

Realmente é o ano da França no Brasil. Nada contra os franceses, mas contras alguns brasileiros sim. Foi noticiado hoje que o Ministério da Defesa vai comprar quatro submarinos convencionais Skorpène, fabricados pela francesa DCNS. O valor da transação é de 6,8 bilhões de euros (R$ 19 bilhões). A decisão surpreendeu até o comando da marinha, principalmente porque havia outra opção técnica e financeiramente mais viável.

A proposta francesa impõe a construção de um estaleiro no Rio de Janeiro. Em 2007 entrou em pauta uma parceria similar com a Alemanha. A proposta germânica incluía a venda de cinco submarinos e a modernização de outros cinco da frota brasileira. Isso tudo em parceria com o Arsenal da Marinha e sem precisar levantar uma parede sequer. Custo da operação? Algo em torno de 2,1 bilhões de euro.

Estranho o rumo que certas coisas tomam nesse país. Decisões que atropelam qualquer embasamento técnico. Tudo é motivo para conseguir apoios internacionais. Aceita-se qualquer proposta, por mais absurdas que pareçam. Enquanto Sarkozy fizer Lula acreditar que tem seu apoio na empreitada para conquistar uma cadeira permanente no conselho de segurança da ONU, poderá vender qualquer coisa ao preço que bem entender. É muito dinheiro mal usado. Não questiono gastos em defesa. A tecnologia muda e modernização desse contingente é legítimo. Contudo, abrir as comportas dos cofres nacionais para rechear os bolsos dos amigos franceses é demais.

O comando da Marinha, a maior interessada, ficou surpreso com a escolha. Em declaração oficial em 2006, a força se declarou satisfeita com o arsenal atual e que a eventual parceria com a Alemanha seria muito vantajosa no que tange à logística e à formação de pessoal.

França, em 2009 pode vir que está facinho.

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