Choque de Ordem Vascaíno

Hoje os vascaínos tomaram o Maracanã. Comemoração dos 111 anos da agremiação esportiva e jogo pela segunda divisão do Campeonato Brasileiro, contra o Ipatinga. Aos meus olhos rubro-negros nada demais. A não ser pelo fato de que as calçadas das redondezas foram invadidas por carros dos torcedores cruzmaltinos.

Aí é que está a contradição. Desde que iniciou seu governo, Eduardo Paes tem tomado algumas ações pela cidade que ele denomina de Choque de Ordem. Algumas são absurdas, pois são contra o melhor do espírito carioca e não melhora em nada a rotina da cidade. Já outras se fazem necessárias e devem ser apoiadas. Uma delas é inibir a bagunça de carros que se instala toda vez que tem jogo no Maracanã. O estádio foi construído numa época em que muito pouca gente andava de carro e sua localização é num bairro hoje ocupado por muitos prédios residências e ruas não muito largas. Quem mora perto do estágio, como eu, sabe que é um martírio não ter por onde passar, por conta das calçadas cheias carros em dias de jogos e outras concentrações.

Só que hoje foi diferente. As imediações do Mario Filho estavam repletas de carros. Em volta da UERJ e adjacências, carros estacionados indiscriminadamente, subindo nos canteiros e afunilando as vias. Na esquina da São Francisco Xavier com a Oito de Dezembro, carros estacionavam em frente à placa que proibia tal ação, sob os compassivos olhares da polícia. Ou seja, o Choque de Ordem tirou a tarde livre.

De repente me veio uma lembrança: Eduardo Paes é vascaíno. Está explicado então. A repressão só vale para os tricolores, botafoguenses e (principalmente) flamenguistas. E, talvez, o alcaide tenha esquecido que ganhou votos de todos os times. Mas, hoje é dia de festa. E, parafraseando Tim Maia, em festa vale tudo. Já vale até dançar homem com homem e mulher com mulher. Mas ainda não vale desrespeitar a civilidade dos outros.

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