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Mostrando postagens de junho, 2009

Propaganda Irregular

A prefeitura do Rio de Janeiro comprou uma briga interessante com as empresas que exploram espaços de propaganda na cidade. Segundo os argumentos da Secretaria Especial de Ordem Pública, muitos desses espaços são irregulares, já que as empresas não pagam as respectivas taxas desde 2001. Esses espaços (abrigos de paradas de ônibus, relógios e banners) se concentram basicamente na zona sul da cidade e, mesmo irregulares, tem um aspecto melhor do que os famigerados outdoors. Acho uma boa iniciativa da prefeitura. Afinal, qualquer tipo de irregularidade deve ser combatido, seja ela fiscal ou urbanística. Contundo, fica a dúvida justamente sobre os outdoors que se concentram nos bairros mais afastados. Esse tipo de mídia é eficiente, mas enfeia demais a cidade. Além disso, o papel do anúncio descola, cai e suja o chão. É delicado mexer nisso agora, tem que ter coragem. Estamos perto de uma campanha eleitora que se desenha como uma das mais intensas dos últimos tempos. E os outdoors são uma

Obrigado, Senhor.

Hoje, vinte e nove de junho, é meu aniversário. Ando preocupado com algumas coisas, os dias não tem sido fáceis... Mas eu sempre agradeço meus aniversários. A vida é o maior presente que Deus nos dá e temos que agradecer sempre. Não sabemos quantos anos teremos pela frente, por isso temos que nos alegrar com os anos colecionados. Eu aprendi ― e experimentei ― que existe um Deus que olha por mim. Nos dias bons e, principalmente nos dias maus ele tem cuidado de mim, mesmo eu não sendo merecedor de tão imensa bondade. O vídeo desta postagem fala disso. Trata-se de uma interpretação lindíssima de Steve Wonder para um Spiritual ( I Won't Complain ), realizada no funeral do cantor Luther Vandross numa igreja em Nova York. Eu agradeço a Deus. E não vou lamentar. I'Wont Complain (Spiritual) I’ve had some good days I’ve had some hills to climb I’ve had some weary days And so many lonely sleepless nights When I look around, I start thinking things over All of my good days, or even my b

A Didática Musical de Michael Jackson e Quincy Jones

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Morreu Michael Jackson. A única coisa boa é que morreram também escândalos, acusações e pedofilia, esquisitices, compulsão por compras e tantas outras mazelas humanas. Este blog não dedica suas linhas a falar das intrigas de celebridades, mas é inegável que o entorno de Michael Jackson foi preenchido por essas coisas todas. O blogueiro aqui também é daqueles que recebia olhares de estranheza quando dizia que gostava de Michael Jackson. Nos últimos tempos gostar de Michael Jackson era algo similar a torcer pelo América. Quem não foi adolescente nos anos 70 e 80 não sabe o que representou nem o Michael Jackson e nem o clube tijucano. Denunciando minha idade (os 36 anos batem a minha porta), prefiro me ater no que Michael representa para as músicas negra americana e pop mundial. Em toda a obra do artista, os dois álbuns que são primordiais para esse entendimento são Off The Wall e Thriller . De tão bons, esses registros são imitados até hoje. O grande responsável por isso (em termos musi

Mais do mesmo. Infelizmente.

Na última quarta-feira, o que deveria ser um clássico do futebol brasileiro se tornou um clássico do racismo brasileiro. O jogador Elicarlos, do Cruzeiro, relatou ter sido chamado de macaco por Maxi Lopez, do Grêmio. Tudo leva a crer que o que o cruzeirense está dizendo a verdade, até porque fica claro nas imagens a reação companheiros de time, numa espécie de devesa (ou revolta). O gremista, mesmo sendo argentino, usou uma das desculpas mais fajutas ― e comuns ― do repertório brasileiro. Disse que no ânimo da partida é comum uma discussão. Elicarlos denunciou o caso à polícia. Maxi negou, dizendo que era contra qualquer forma de racismo. Só faltou dizer que seu melhor amigo de infância era preto. Paulo Autuori, técnico do Grêmio, disse que isso era besteira, que existem outros atos de racismo cometidos por pessoas de posições de influência na sociedade e que ninguém faz nada. Autori era técnico do São Paulo quando outro argentino, Leandro Desábato, proferiu palavras de racismo contra

Michael Jackson

Michael Jackson. Tem gente falando tudo e mais um pouco sobre ele. Não vou cair nessa vala comum. Prefiro fazer o que sempre fiz: apreciar sua música. A melhor definição que ouvi vem de João Marcello Bôscoli: “Michael Jackson é como um refrigerante gelado.” Ao contrário da maioria, acho Off The Wall o melhor álbum de Michael Jackson. Talvez porque seja o mais preto de todos. Ele morreu, mas a obra ficou. Aproveitemo-la. Michael Jackson - Don't Stop 'Til You Get Enough Michael Jackson - Rock With You

O Trem Azul

Existem canções que tem o poder de nos levar para outros lugares. O Trem Azul , de Lô Borges e Ronaldo Bastos, é assim. Todas as vezes que ouço, sinto-me no trem com sol (e outras coisas) na cabeça. Sem dúvida, O Trem Azul está entre minhas músicas favoritas. O Zero à Direita deixa três versões para o os leitores. A primeira é a versão original, gravada no disco Clube da Esquina , de 1972, com um sensacional solo de guitarra executado por Toninho Horta. A segunda foi gravada por Elis Regina em 1981, numa interpretação muito peculiar. A terceira versão, do mestre Antonio Carlos Jobim, no disco Antonio Brasileiro (1994) ― cantada em Inglês. Nesta versão, é interessante ver que o solo de Toninho Horta é citado, além da bela participação do saudoso trompetista Márcio Montarroyos. Take the blue train... Clube da Esquina - O Trem Azul Elis Regina - O Trem Azul Antonio Carlos Jobim - Blue Train

Dicionário ZAD do Politicamente Correto: Centro de Tradições Nordestinas

Verbete: Centro de Tradições Nordestinas Nada mais é do que o nome bonito para a tradicional Feira dos Paraíbas, em São Cristóvão, bairro carioca. Inicialmente a Feira dos Paraíbas ficava nas cercanias do Pavilhão de São Cristovão, um projeto de Oscar Niemeyer em forma de cilindro em revolução, construído para abrigar eventos. No local, era possível encontrar vários elementos da culinária, música, literatura e vestuário oriundos do nordeste brasileiro. Aqui no Rio de Janeiro, paraíba é toda a pessoa que vem do nordeste. Da mesma forma, os nordestinos são chamados de baianos em São Paulo. O Pavilhão de São Cristóvão foi esquecido e ficou abanado durante muito tempo. Até que, nos anos 1990, alguém teve a idéia de colocar a Feira para o lado de dentro. Hoje são 700 barracas e mais de 30 restaurantes, além de palco para shows. Como a turma do politicamente correto não se controla, a Feira dos Paraíbas teve seu nome alterado para Centro de Tradições Nordestinas Luiz Gonzaga. Termos politica

Produto Vencido: Suzana Vieira

Com certa defasagem temporal, assisti ao constrangimento pela qual a atriz Suzana Vieira fez passa a apresentadora Geovanna Tominaga, no programa Video Show , da TV Globo. Vieira, que participaria do programa de Renato Aragão, parecia fora de si ao implorar por trabalho na emissora, tomou o microfone da apresentadora disse “não ter paciência com quem está começando” e monopolizou a conversa com o humorista. Tominaga ficou nitidamente constrangida, mas manteve a pose, apesar de Vieira merecer uns tabefes. Suzana Vieira é a versão feminina e aloprada do tio Sukita. Inconveniente em seus comentários, sempre tenta justificar a besteira anterior com uma nova besteira. O envolvimento dela com um ex-PM, segurança de escola de samba e aproveitador de velhinhas não a fez calar a matraca. A sua entrevista antológica (no mau sentido, é claro) a Veja é um dos momentos mais ridículos da empresa brasileira. Além de expor sua vida íntima como o brutamontes, teve a coragem de se comparar a Pelé e Fer

MP(irata)3

A americana James Thomas-Rasset foi condenada a pagar US$ 1,9 milhão por ter trocado 24 músicas, numa comunidade de compartilhamento de arquivos na Internet. A condenação é absurda, não só por seu valor (impossível de ser pago), mas também porque evidencia um problema dos tempos modernos. A disponibilização de conteúdo na Internet é uma realidade e não adianta criar maneiras de impedir isso. Para cada ferramenta que bloqueia a ação aparecem dez outras para furar o bloqueio. A pergunta a ser feita é quem realmente perde com a música grátis em farta quantidade na internet. Não sei se os artistas perdem tanto assim, pois o percentual que lhes é pago por CD vendido é mínimo e seus grandes proventos são oriundos dos shows que fazem. Há meses assisti uma das cenas mais reveladoras sobre o assunto. A Meca da pirataria carioca é o camelódromo da Rua Uruguaiana, no Centro. Passando por lá, dou de cara com um trio-elétrico comandado por um dos manda-chuvas do funk carioca, Rômulo Costa. Do alto

Deproma

Ontem, em decisão do STF, foi derrubada a exigência de diploma para o exercício do jornalismo. O parecer da maior instância do judiciário abre uma discussão. Afinal, o que garante a credibilidade e relevância de uma informação? Um diploma? O portador da informação? Ou quem busca e disponibiliza a informação? Um bom caso é o Diogo Mainardi. Ele não é jornalista diplomado, mas nos últimos anos foi um dos profissionais que mais informações importantes trouxeram ao país. Por exemplo, um dos primeiros ventos de que tinha algo de podre no reino da Petrobras sopraram na coluna de Mainardi, na revista Veja. Isso é jornalismo. A posição do STF é antes de tudo moderna. Os canais de informação são variados, sites, blogs, canais de televisão alternativos. A notícia é segmentada, pode ser profunda ou rasa, relevante ou não. Seu um busca saber da política ou da economia, vai ter outro querendo saber do último escândalo da Britney Spears. Muitos blogs excelentes tem seu conteúdo abastecido por gente

"Isso é cambalacho!”

Entre março de 1985 e março de 1990, José Sarney foi o presidente da república. Foi o tempo do Plano Cruzado, de Dilson Funaro, dos fiscais do Sarney, do congelamento de preços, do sumiço da carne, da inflação galopante e de um carro usado custando mais caro do que um zero. Talvez alguns que leiam este blog estivessem mais interessados em seus Ataris e suas Barbies, mas seus pais lembram-se dessa lambança toda. Foi o primeiro governo civil após o regime militar. A retomada do processo democrático estava nas mãos de Sarney e ele conduziu a coisa de forma digna. Aceitava todos os xingamentos, as sátiras, os deboches e as ofensas. Primou pela manutenção das instituições democráticas, é verdade. Em 1989, o Brasil teve eleições para presidente da república. Foi um processo limpo, que teve seu segundo turno disputado por Lula e Collor. O segundo bateu o primeiro, a história nos conta e alguns bolsos sofrem até hoje. Houve uma série de debates, transmitidos em rede nacional entre os dois. Al

Os tucanos, a estrela vermelha e a árvore

Lula quer polarizar as eleições. Dois motivos: a garantia de palanque e o medo de um massacre a sua pupila (nada popular, diga-se) Dilma Rouseff. Alma ao diabo ele já vendeu. Agora só falta combinar com o demônio rebelde Ciro Gomes e com o outro time: os tucanos, que apesar de alados de anjos não tem nada. O presidente, como bom pelego que sempre foi, já traça alianças e põe preço nas cadeiras. Para Ciro, ofereceu uma absurda candidatura ao governo de São Paulo. A polarização das eleições de 2010 é uma jogada esperta, já que ela pode ressaltar as duas características folclóricas dos dois lados. A de que os tucanos que não capitalizam seus feitos e a de que o PT que se apropria dos feitos dos outros. Vejamos. A crise financeira mundial, já chamada por alguns de A Grande Recessão, teve efeitos devastadores. Contudo, as conseqüências não foram tão drásticas assim. Historicamente, a taxa Selic sempre fora muito alta e ficava mais alta ainda em crises passadas, na tentativa de evitar a fuga

Aha! Uhu! A Petrobras é deles

A sede de poder do PT e seus orbitantes é tão grande que, ao encamparem na Petrobras e fazerem dela o maior aparelho de sua política canhota, sem perceber estão na trilha do caminho para transformar a petroleira num monstrengo estatal. A agência de risco Standard & Poor’s rebaixou a Petrobrás em seu grau investimento. Tudo isso, justamente, por causa do aumento de endividamento e da alta politização da companhia. Um movimento em especial chama a atenção: a calibragem dos preços dos combustíveis no sentido contrário ao da lógica de mercado. Como já falado num post anterior , ficam claras a intenções políticas na gestão de preços da Petrobras. Outro fator é a sanha cretina de Lula em criar uma estatal separada para explorar o pré-sal. Isso é suco no estômago da Petrobras, seguida de uma batida de carteira. E por último, a diversificação de negócios da estatal, que agora entrou no ramo da censura à imprensa, através de um blog. Independente de qualquer discussão sobre a privatização o

Earth, Wind & Fire

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Eles são os melhores, os maiores, os mais sensacionais, os mestres do soul. Com o swing de Maurice White, os vocais marcantes de Phillip Bailey, suas roupas extravagantes e seus naipes de metais inflamados, o EW&F criou uma escola e deixará um legado para a música moderna. Fundado por White, em 1969, até hoje seus grooves são sampleados por DJ’s e happers. Sem contar as incontáveis regravações de seus sucessos. Recentemente, a Berkley School Of Music concedeu a Maurice White e a Phillip Bailey o título de Mestres Honorários, devido à sua toda contribuição para música do século XX. Como ouvir a música do EW&F é infinitamente melhor do que ficar lendo este post, deixo aqui uma pequena mostra para o deleite no final de semana. Earth, Wind & Fire - Shining Star Earth, Wind & Fire - Keep Your Head To The Sky Earth, Wind & Fire - That's The Way Of The World Earth, Wind & Fire - Devotion (Live)

No Brain

Sinal dos tempos. Uma combinação nada agradável se tornou comum em nossos dias: o excesso de informação com a escassez de inteligência. O homem médio passa por um processo de hipotrofia intelectual. Ao passo que num jornal de domingo contem mais informação do que uma pessoa adquiria em sua vida toda durante a Idade Média, os atos de burrice acontecem em profusão. As universidades se multiplicam e nunca tivemos profissionais tão rasteiros. O Brasil tem mais médicos por habitantes do que a Índia (com seus mais de um bilhão de habitantes). Mesmo assim, num teste feito com residentes no estado de São Paulo, a maioria não soube identificar um quadro de tuberculose. A OAB já declarou que existem faculdades de Direito em excesso no país, mas penamos com a qualidade de muitos advogados que estão por aí ― sem citar a multidão que não passa na prova da Ordem. Há uma corrente que arrasta toda uma geração e compromete as futuras. A educação é cada vez mais superficial, o homem médio não se aprofun

Ladera Abajo

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Que Maradona nunca foi melhor que Pelé como jogador, eu já sabia. Agora é revelado que ele é pior que o Dunga como técnico. Se continuar assim, corremos o risco de ver os hermanos na África do Sul em 2010.

Crocodilo falante

Nelson Jobim classificou a sí próprio como uma verdadeira aberração da natureza. Sua estatura avantajada e sua pança pronunciada foram acrescidas de costas de crocodilo e de arrogância de gaúcho (que para mim pode ser traduzida como uma cabeça dura feito um aríete). Digno da esdrúxula novela a Rede Record. Jobim não tem um pingo de humildade em admitir que foi precipitado, ao dar informações não confirmadas e posicionar um ministério com dados sem fundamentos técnicos. As declarações de vários profissionais e estudiosos de transporte aéreo descredenciam o ministro e evidenciam sua falta de conhecimento técnico. Esse caso me faz lembrar o rei Salomão em seu Livro dos Provérbios: Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.

Timinho

Assista ao vídeo a seguir: Isso mesmo. Depois de levar um chocolate do Real Madrid, o time sub-18 do Curintia além de perder na bola, perdeu a cabeça também. Que vexame! Adolescentes que, em tese, estarão na primeira linha do futebol brasileiro se acham no direito de baixar o sarrafo nos adversários. Parece-me que a punição da FIFA será a proibição de participar de torneios internacionais por cinco anos. Pelo visto não surtiu efeito algum. Reparem na expressão dos jogadores. Alguém acredita que estes delinqüentes serão punidos pelo clube? Bem fez Juca Kfouri, ao lembrar que a representação do Parque São Jorge chegou à Espanha com a oportunidade de apagar a imagem do clube de Kia Joorabchian e de Boris Berezovsky e firmar a imagem do clube de Ronaldo Fenômeno. Jogou a oportunidade no lixo.

O Mais Querido. Agora com números.

Não sou eu que estou dizendo e sim o IBOPE*: 58% da torcida carioca é Flamengo. Conclusão do ZAD: Os dirigentes do Flamengo dão um show de inoperância. O clube vive devendo, sem uma ação de marketing efetiva para levantar recursos junto à sua torcida. A mesma pesquisa mostra que a distribuição da torcida rubro-negra é a mais uniforme, tanto nas classes sociais quanto nas faixas etárias. Sendo que mais de 60% se encontra na idade economicamente ativa. *Publicado no jornal O Globo , em 07/06/2008.

Ricardo Izecson dos Santos Leite

Está sendo noticiada em todos os meios de comunicação a negociação entre os clubes de futebol A.C. Milan e Real Madrid, onde o primeiro venderá ao segundo o passe de Kaká por aproximadamente R$ 180 milhões. Mais do que uma cifra estrondosa, ou a maior negociação envolvendo um jogador brasileiro, está em jogo não é só o talento do atleta, mas o modelo de ser do homem Ricardo Izecson Dos Santos Leite. Para os padrões futebolísticos brasileiros, Kaká é um exemplar raro. Não por ser branco, oriundo da classe média e com uma educação formal bastante sedimentada. O diferencial de Kaká está no contexto onde ele se formou. O famoso berço. E isso não tem nada a ver com cor de pele ou classe social. Ele não freqüenta lugares estranhos, não se envolve em escândalos, não falta aos treinos e tem suas finanças muito bem geridas. Resultado: uma regularidade impar em campo. Kaká só não joga se estiver machucado. Não se mete em confusões em campo, não me lembro de ter visto um cartão amarelo mostrado à

Respeitável Público

Não bastasse o horror de perder tragicamente pessoas queridas, pais, mães, filhos, irmãos, irmãs, esposas e esposos, os parentes das vítimas são obrigados a assistir o circo armado pelas autoridades do executivo federal. É presidente que diz que um país que acha petróleo a seis mil metros de profundidade pode achar tranquilamente um avião ao nível dos dois mil metros. Depois, é o ministro da Defesa que dá um verdadeiro show para a imprensa, com slides, projeção e tudo que tem se direito. Nelson Jobim, que está se especializando em pirotecnia pós-acidentes aéreos, garantiu que os destroços encontrados eram do avião da Air France. Foi desmentido pelos fatos e pela cautela (e experiência) da Aeronáutica. Jobim tem um histórico na vida pública divido em dois momentos. O primeiro como jurista, ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal. O segundo como político. Diferentemente do primeiro período, quando chegou ao máximo da hierarquia, o ministro tem se deparado com situações-limite,

A Rainha do Pobrismo

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Ela está de volta. Regina Casé, a artista mais chapa-branca desse país, votará a ter espaço no Fantástico, da rede Globo. Em seguidos programas, a senhora Casé tem insistido na apologia ao pobrismo, ao vulgar, ao chulo. Seus quadros são repletos da exaltação do ruim. Aliás, quanto pior, melhor. Regina Casé é chapa-branca porque isso interessa (e muito) ao governo atual. E ela faz a coisa com maestria. Regina Casé sempre foi a atriz do escracho. Minha primeira lembrança dela em ação é uma cena bizarra no filme “Os Sete Gatinhos” (de Neville de Almeida, 1980), baseado na obra de Nelson Rodrigues, em que sua personagem Arlete, ao ser perseguida pelo deputado (interpretado por Maurício do Valle), corria nua em torno de uma piscina gritando coisas impublicáveis aqui no ZAD. A vida seguiu e Casé se tornou especialista em caricaturas. Às vezes isso é engraçadinho. Mas do jeito que ela fez disso um meio de vida me assusta. Tudo bem, que a informação e a alguns setores da arte devem ser acessív

Acontecimentos

Coisas acontecem e simplesmente deixam de acontecer. Sonhos, sentimentos, planos, desejos, encontros, pessoas até, tudo está sujeito ao acontecimento ou não. Se soubéssemos o momento exato, a palavra, o impulso, a sinapse que determina todos os acontecimentos da vida talvez fossemos mais senhores dos nossos destinos. É engraçado, por mais que vivamos, que aprendamos, que queiramos ou deixemos de querer, existe um fator que não dominamos. Parece que, na eminência que qualquer evento, perdemos o controle da situação. Pode ser que ai esteja uma dos maiores mistérios vida, e um de seus maiores encantos também. Acontecimentos e não acontecimentos podem nos gerar tristezas, alegrias, frustrações, surpresas, decepções, alívios, angústias, medo, coragem... Tanta coisa. Fazer o quê? É a vida. Nada mais que isso. Vida. Sigamos a viver.