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Mostrando postagens de Junho, 2013

Vinte centavos

Vinte centavos
Um tostão A gota da indignação Um vintém De quem nada tem  para entregar E muito a pagar Hospital não tem Escola não tem Respeito não tem Partido? Ah, isso tem! Como escravos trabalhamos  Nossos impostos pagamos  Por anos, planos Enganos Vinte centavos Talvez um clique Para que não se replique O pensamento de que somos massa Gado que passa, que adora uma graça, Um carnaval e tudo normal Vinte centavos, sinhá E veja o há  Uma multidão a reclamar Por tudo que aí está Mas se direito não votar Não vai adiantar  Porque voto é fortuna Mais que vinte centavos Em hora oportuna  Sempre valerá.

Poema novo

Queria escrever um poema novo. Não consigo. É que não quero pensar em você de novo, Talvez pela dor que morou comigo. Acho que você me provocava Minha respiração acelerava E a devolvia em palavra No papel, descrevi o mel e o fel. Contei como se espatifa do céu. Queria escrever um poema novo. Já não sei. Acho que tanto amei, Que sequei A lágrima e a tinta da pena. Dá pena, Mas não sei onde enfiei O jeito de dizer, De com vocábulos lhe descrever. Queria escrever um poema novo. Só um, sempre fica um. Um que vai e um que esvai. Um vazio e um ai. Queria um novo poema escrever. Que contasse o que é a vida sem você.
Imagem

Tolice

Tola
Tolo
Tolhida
Paixão
Recolhida
Encolhida
Tola
Tolos
Tolhidos

A recíproca é verdadeira.

O número da reciprocidade é 50%. Metade. Porque reciprocidade é sempre de dois.
Não se tem reciprocidade se um dos dois faz menos e outro faz mais. O que tem é preguiça de um associada a sobrecarga de outro.
Reciprocidade, além de uma escolha, é uma consequência de um sentimento. Quase uma crença. É uma ferramenta de manutenção dos sentimentos. Se amamos e queremos ser amados, esperamos e exercemos reciprocidade. Se queremos deixar de ser amados, ou não amamos mais, uma das primeiras coisas que deixamos de lado é a reciprocidade. 
Paradoxalmente, quando não queremos mais nutrir um sentimento ou uma situação , pagamos a "falta de reciprocidade" com a "reciprocidade da falta". 
Reciprocidade é um espelho. Você olha e se reconhece. É igualdade de condições e doações. Se você doa ou recebe em proporções desiguais, sinto informar que, neste caso, reciprocidade é apenas uma substantivo, polissílabo, paroxítono. 
Reciprocidade é o ponto de partida, o caminho e a chegada.

Teu Corpo

Teu corpo
Teu dorso
Te contorço
Teus gemidos, suaves ais
Doces pedidos por mais
Teu cheiro
Teu veio, permeio
O meio, teu seio Teu corpo
Tua boca, parte oca
Habitada, por mim tomada
Minha Amada
Teu corpo
Minha madrugada.

Não e Sim (Duas vozes)

Quer ser meu amigo?
Não.
Não?
Não.
Por quê?
Porque não cabe. 
Não cabe?
Você sabe. 
Não.
Sabe. No fundo sabe.
Sim. Sei...
Quer ser o que meu?
Tudo, inclusive amigo.
Tudo não dá.
O nada então você terá. 
Nada?
Tudo?
Não tem como.
Sim. 
Que caminho tomo?
Fique perto de mim.
Simples assim?
Sim.
Não!
"Sim" para você é sempre não. 
Não.
Não?
Não.
Sim!
Você me confunde. 
Quer ser minha mulher?
Sim... Não! Não posso.
Não?
Não devo.
Não! Precisa.
Não. Tenho tudo.
Tem?
Sim. 
Até amigos?
Sim.

O Maracanã abriu.

O Maracanã abriu! Brasil! É junho, mas abriu! Lugar do Rei o gol mil. Palco de Galinho, Baixinho, Jairzinho. Para ver o gigante de novo, Arranjei um lugarzinho E vou levar minha garotinha Ao templo de Garrincha, Didi e Quarentinha. Zagalo, Rivelino e Assis, Petkovic, Adílio e Gerson, Dinamite e Junior Maestro. A tristeza que detesto foi embora. O Maraca vem em boa hora. Agora ele é diferente,  Não cabe mais tanta gente. Mas guarda a história De tanta vitória. Glória de vários  Granfinos e operários, Anônimos e notórios. Oswaldos e Severinos. Marmanjos e meninos, Arquibaldos e Geraldinos. De chorar tantos olhos De alegria e de derrota Mário Filho, abre a porta. Que saudade! Entro e fico à vontade.