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Mostrando postagens de Maio, 2011

Bulling uma ova.

Eu não escrevi sobre o massacre de Realengo por dois motivos: porque estaria fazendo o que todo mundo faz (o que colide com a filosofia deste blog) e porque depois de certo distanciamento temporal, as idéias ficam mais claras. Agora, talvez com mais clareza, eu possa dividir ―ou multiplicar, no caso da Internet ― o que ficou para dessa história toda.

Pouco ou quase nada se discute sobre a formação de uma mente doentia do assassino, nem se questiona as condições em que ele foi criado, como sua personalidade foi formada, o porquê da escola não ter percebido possíveis problemas e não ter dado a orientação aos responsáveis do (então) garoto. Contudo, vimos e vemos uma onda crescente de mesas redondas, debates, programas de televisão, reportagens de jornais e revistas falando sobre o bulling. O bulling virou o vilão, o culpado, a mola propulsora para desvarios e assassinatos em série. Devagar com o andor, minha gente.

Eu sofri bulling. E não foi na escola, não. Foi na igreja (batista) mesmo.…

Como se não houvesse amanhã. Uma mensagem para filhos e mães.

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É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã.
Por que se você parar pra pensar, na verdade, não há.
Trecho de “Pais e Filhos”, de Renato Russo


Ficar sem mãe não é legal. Hoje a minha dúvida é se esta ausência é pior quando somos muito pequenos, adolescentes, jovens ou mais velhos. O mais provável é que, em cada fase, a dor se revela de forma diferente. Quando minha mãe morreu, eu tinha 26 anos e minha irmã vinte e três. Ambos na faculdade, realizando coisas, naquela fase da vida em que tudo acontece rápido e que as novidades são paradoxalmente rotineiras. Ela, mesmo sendo mãe pela primeira vez aos 34 anos (num tempo em que a regra era ser mais antes dos trinta invariavelmente), era de uma vitalidade impressionante. Foi retirada de cena de forma repentina, surpreendendo platéia e até atores com ela contracenavam. Lembro da última brincadeira, da última réplica a uma gracinha feita por mim, do último agarrão (Sai daqui, garoto!). Ela era o nosso ponto de equilíbrio. Era mãe.

A mor…