31 de janeiro de 2012

Mudar para ser o mesmo.


"Há momentos na vida em que para continuar o mesmo você tem que mudar." 
(Leonardo Boff)

Estou há uma semana pensando nesta frase. Pensando profunda e insistentemente. Mudar para continuar o mesmo. É óbvio, mas de difícil digestão. É um protesto contra a auto violência que em momentos da vida, sem percebermos, somos submetidos. É sem dúvida um das maiores dicotomias da existência humana: mudar para continuar o mesmo. Mudar o que?

Mudar é difícil. Digo mudar de verdade. Mudar de lugar de na sociedade, mudar a maneira de lidar com o que sempre esteve lá e mesmo assim não nos fazia completamente felizes, mudar toda a superfície para manter a essência. Mudar dói. Dói muito por vezes. Mudar é solitário. Até porque, dependendo da situação, pode ser que sua mudança não seja interessante aos outros. Que (não) seja... Mudar é vital.

As pessoas se acostumam com qualquer coisa. Por exemplo, quantos de nós podemos dizer que (além de Deus) somos os verdadeiros donos de nossos narizes? Quantos de nós não cedemos aos encantos dos preceitos sociais, dogmas, tradições de família e tantas outras maneiras de adequação da vida cotidiana que nos são passados por gerações? Quantos médicos, advogados e engenheiros são competentes e infelizes por terem seguido as profissões de seus pais, sendo que poderiam ser qualquer outra coisa e muito mais realizados? Quantos relacionamentos são mantidos para que tudo corra na maior normalidade se maiores questionamentos?

Ando numa fase de texto muitos pessoais. De reflexão e reflexo do que tem acontecido comigo nos últimos tempos. Minhas mudanças, descobertas e decisões. Tudo na busca de manter o mesmo. A gente descobre que pode algumas coisas e que outras não. Engole seco, se decepciona, se frustra. Mas não pode deixar de seguir em frente. Tem muita pedra para ser desviada.

Quem é de vôo vai sempre procurar o céu. As plantas crescem na direção do sol. Fugir da natureza é criminoso, assim como matar seus sonhos, até os mais simples. Em determinado momento é tão agressivo que nos tira a saúde. É preciso estar atendo desde os primeiros momentos. Não prego aqui o desvairado abandono de compromissos e responsabilidades. Não é isso, muito longe disso. Mas falo do compromisso maior com a nossa essência, com a alma.

Estou em mudança. Querendo descobrir o que tem mais de mim para ser e ainda não consegui ser. Quais minhas possibilidades e aproveitá-las. Quais minhas limitações e pedir a Deus a compreensão para saber lidar com elas. Na mudança a gente se sente pequeno, mas depois deve aparecer uma sensação de crescimento. É preciso olhar para trás e ter a certeza que se fez o certo. A vida é um colchão curto, não se pode ter tudo. Sendo assim, prefiro ter a certeza de que eu sou eu mesmo. Que mudei tudo para continuar sendo o que sou no melhor de mim. Sendo mais feliz comigo e espalhando esta felicidade para quem estiver perto de mim. Felicidade verdadeira, não a esperada pelos outros. Mas aquela que foi comprometida por mim mesmo.

26 de janeiro de 2012

A gente...


A gente se busca
A gente se encontra às vezes
A gente se perde também
A gente esquece de dizer, lembra tarde demais

A gente se assusta e foge
Se pergunta o porquê das coisas,
Questiona os quandos
A gente não sabe lidar com as peças que o tempo nos prega

A gente se encontra, se esbarra
E num instante se percebe no espelho do outro
Aí vem o sopro e espalha tudo
Fica a saudade, a falta...
Tem que reconstruir sem entender
Refazer sem saber

A gente bem podia se encontrar de novo.
Noutro tempo, noutra chance
Mesmo sorriso, mesmas horas, mesma calma
Mesma alma irmã
Mesmo Grand Hotel

(Inspirado na canção Grand Hotel, do Kid Abelha)

4 de janeiro de 2012

O Paradoxo dos Sexos - Parte 2


Começo relatando alguns casos que assisti em minha vida, mas que obviamente não convém dar nomes aos personagens.

Caso 1
Ela com a carreira em franca ascensão. Um talento revelado desde muito cedo, que somente seguia o caminho natural dos profissionais com competência acima da média. Respeitada em seu meio profissional, era comum ser laureada por elogios públicos. Ele, o marido, um expectador. Indeciso, perdido e inseguro tanto no viver diário quanto em sua carreira profissional, decide dar uma guinada radical e retorna para a faculdade depois de anos de formado. Não se acha. Ao mesmo tempo, sua mulher está mais “achada” que nunca em sua profissão. Até o dia em que ele vira e diz: “Você é boa demais para ficar casada comigo.” Pega as suas coisas e vai embora, deixando um vazio gigantesco na vida de sua mulher.

Caso 2
Nos bancos da faculdade, ela sempre foi destaque pelas boas notas. Arranjou um namorado mais velho e menos instruído. Ao invés de tratá-la como uma jóia preciosa, o tal namorado percebeu certa insegurança que a moça trazia consigo e usou isso para dominá-la emocionalmente. Chegava aos limites da humilhação verbal pública. Tornou-se persona non grata entre os amigos da jovem. O ciúme, resultado da insegurança, era cada vez maior. Até que a moça conseguiu se livrar à duras penas do machão.

Caso 3
Um casal se separa. Aparentemente, de forma amigável. Cada um vai para o seu canto. Ele um profissional mediano, sem grandes ambições, mas muito feliz com o que fazia. Ela com um perfil empreendedor, já ocupava uma posição de destaque. A combinação dos dois não tinha problemas neste aspecto. No entanto, ao saber da separação do casal, alguém, destilando preconceito, dispara: “Isso é que dá a mulher ganhar mais que o homem. Ela quer mandar na casa e aí complica.”

Os três casos mostram três modalidades do paradoxo dos sexos. O caso 1 fala da insegurança que sobrepõe o sentimento de carinho e companheirismo que porventura possa existir. O caso 2 relata a inveja que usa a agressividade como instrumento de opressão do invejoso sobre a invejada. E o caso 3 o preconceito de terceiros, que não têm idéia alguma sobre a intimidade e os códigos de um casal e mesmo assim despeja todo o preconceito machista.

Ainda temos muito que aprender. Homens e mulheres. Principalmente homens. A competição do mercado de trabalho aumentou depois da chegada das mulheres. Elas são competidoras preparas, estão estudando mais que os homens. São detalhistas em sua maioria e costumam aproveitar as oportunidades com mais garra que muitos homens. Mas ainda continuam  aquelas, que vêem o mundo de forma diferente, que choram no cinema e que adoram receber flores. Essa competição tirou dos homens a gentileza e o cavalheirismo. Principalmente dentro de casa. Take it easy, my brother!

Ou entendemos o novo código, ou colocamos tudo a perder. Quantos são os casos de sujeitos que sabotam suas companheiras, para que estas sempre estejam em posição de inferioridade? Nossa hipocrisia é tão grande que achamos um absurdo uma iraniana ser condenada a morte por adultério, mas condenamos à morte muitos dos sonhos de nossas próprias mulheres.

3 de janeiro de 2012

O Paradoxo dos Sexos

O rótulo da nossa época é a pós-modernidade. Como se tivéssemos alcançado o ápice da modernidade e que depois disso tudo seria repetição ou exacerbação do mesmo. É, no mínimo, pretensioso. Se hoje o avanço da tecnologia é enorme, ainda não alcança a todos. O homem destrói os recursos naturais com o aval estatal. Guerra, fome, injustiça e tantos outros males são tão ou mais freqüentes do que antigamente. Isso sem falar das doenças químicas e sociais que nos rondam. De moderno não temos nada.

Nos últimos tempos, tenho refletido sobre o conceito de modernidade nas relações entre homens e mulheres, em vários campos. Não há nada mais retrógrado. Há 40 anos, as mulheres foram às ruas lutar por direitos iguais. Foi um momento de efervescência social, em que dali saíram vários avanços que podemos desfrutar hoje. Mas foi gerado um grande paradoxo. Mudou-se a maneira de se criar uma menina, mas foi conservada a maneira de se criar um menino. O resultado é uma geração entre 20 e 50 anos de idade que não se entende. Homens e mulheres lutando pelo mesmo espaço e esquecendo que novos espaços foram criados. 

As mulheres conquistaram muitas coisas. Merecidas. Qualquer pesquisa mostra que elas estudaram mais e têm se preparado melhor para o mercado de trabalho. São incontáveis os exemplos de mulheres que colocaram em prática seu espírito empreendedor e são historias de sucesso inconteste. Contudo, muitas delas vivem amarradas a uma espécie de grilhão social que as exige que ela assuma de forma integral funções que eram exclusivamente femininas num período em que lugar de mulher era em casa. A tal jornada dupla de trabalho, no meu modo de ver, não está exclusivamente associada ao cuidado com os filhos, depois de um dia de trabalho. Mas a tarefas que poderiam muito bem ser desempenhadas pelo seu companheiro (que de companheiro não tem nada nestas horas). Quantos são os casos de mulheres que, mesmo desempenhando funções profissionais sofisticadas, são submetidas e até surpreendidas com demandas domésticas as quais o "homem da casa" poderia muito bem fazê-las?

Isso vai de encontro com o que disse anteriormente. O grande erro foi (e ainda tem sido) a maneira como meninos e meninas são criados. Se meninas são criadas para terem uma profissão e um projeto de realização pessoal, os meninos são criados para manter sua "macheza" e arrumar uma mulher que lhe respeite como macho dominante da matilha doméstica. No momento do cortejo, as moças muitas vezes fingem ser menos inteligentes do que são e os rapazes fingem ser mais seguros do que são.

26 de dezembro de 2011

Em 2012... (Versão revisada de "Em 2010...")

Em 2012... 
Ligue para aquele amigo com quem você não fala há muito tempo. 
Se possível, arrume uma forma de vê-lo pessoalmente. 
Aprenda algo novo. Ponha a cabeça para funcionar. 
Quando o seu time jogar, torça. 
Se ele ganhar, comemore com prudência e respeito ao adversário (e não gaste muito tempo com isso). 
Se ele perder, lamente com bom humor (e não gaste muito tempo com isso).
Se ele empatar, espere a próxima partida. 
Valorize seu trabalho. Ele é o que financia a maioria das coisas que você desfruta quando não está nele. 
Ajude a quem precisa. Pode ser perto ou longe, um conhecido ou não.
Cumprimente as pessoas quando entrar no elevador. 
Cumprimente os porteiros, serventes, recepcionistas e tantos outros que fazem com que nosso dia seja o mais normal possível. Não se esqueça: eles não são mobílias e sim pessoas. 
Tente entender o outro. Um pequeno esforço pode trazer grandes frutos. 
Faça exercícios físicos. Seu corpo agradece. 
Alimente-se corretamente. Seu corpo agradece de novo. 
Leia bons (e muitos) livros. Seu cérebro agradece. 
Respeite seus pais. Eles podem não entender nada do que se passa, mas eles se importam com você. 
Brinque com seus filhos. Por alguns momentos, seja tão crianças quanto eles. Isso será lembrado para sempre e com muito carinho.
Ouça mais.
Sorria mais.
Cante. 
Dance. 
Vá à praia. 
Gaste com inteligência e guarde dinheiro. Uma tarefa difícil para muitos... Vista-se com zelo. 
Arrume as gavetas e armários. Dê espaço para o novo chegar. 
Vote com responsabilidade.
Preserve o meio-ambiente.
Economize energia.
Não desperdice, principalmente alimentos.
Encontre — ou pelo menos tente encontrar — um grande amor. Ele pode vir das maneira mais surpreendentes e complicadas. Preste a atenção nisso. Só não vale desistir. 
Troque a reclamação pelo agradecimento. 
Se acreditar em Deus, deixe-O ficar mais perto de você. 
Se não acredita, não perca seu tempo tentando provar o improvável e passe a acreditar. 
Seja um zero à direita. 
E, por favor, chegue bem a 2013. 


Feliz ano novo.

24 de dezembro de 2011

Uma carta para 2012

Ano 2012, estamos a poucos dias de nos encontrar. Vou lhe confiar um segredo: Não agüento mais 2011. Foi um ano complicado, pesado, com muitos conflitos e mudanças. Uma nova ordem foi imposta. Me senti como estivesse num desses joginhos de dados e caísse numa casa que tivesse a mensagem: “Volte 10 casas”. Tive que voltar, joguei os dados novamente e ainda não veio aquela combinação que me faria avançar várias casas novamente.

Confesso que estou torcendo por sua chegada e ao mesmo tempo tenho certo medo de sua estada. Um paradoxo, sim, mas é o que sinto. Você tem mais jeito de encruzilhada do que de caminho. Ou a coisa vai, ou racha. Não tem jeito e eu ando bem cansado de ver as coisas rachando. Eu só quero que você seja bacana comigo. Eu preciso disso! Novos ares, novas paisagens e novas possibilidades. Que a vida seja mais prazenteira comigo e com os que eu amo. Que os dias sejam mais leves, que a grana entre, fique e não apenas passe. Que eu comece a construir as bases sólidas para a minha velhice.

Sei que você não espera. O tempo não espera ninguém e você é tempo. Mas, 2012, seja pelo menos gentil em sua pressa. Não me impeça de ver o que tem que ser visto nem de avaliar o que deve ser avaliado. Peço isso porque preciso estar muito melhor do que estou hoje. Seus antecessores 2009, 2010 e 2011 me demandaram muito das forças emocionais e físicas. Fui atropelado por eles, sendo assim, não quero um quarto atropelamento. Seria pesado demais.

Já ouvi dizer que você marca o fim de uma era. Coisa dos Maias, parece-me. Tem gente que diz até que você trás o fim do mundo. Quero bem menos que isso. Quero que seja um novo começo para mim. 2012, me traga um novo começo, um novo sentido, uma nova alegria. Não que eu viva uma vida sem alegrias e sentido. Mas, gostaria de começar a viver as coisas que sempre esperei viver. Realizar aqueles pequenos sonhos que tornam a nossa vida uma bela jornada.

Sei que você vem com acontecimentos que poderão ser cruciais para o meu futuro. Sendo assim, gostaria de fazer um acordo com você, 2012. Que daqui a um ano eu volte aqui para declarar minha saudade por você, já que 2013 estará chegando. Vou fazer a minha parte, tentar me comportar direitinho e fazer as coisas certas. Agora peço que faça a sua também, traga alegria oportunidades, amor, tranqüilidade e realizações.

Para terminar, só mais uma coisinha... Se for mexer com meu coração, pega leve.  

28 de novembro de 2011

O Necessário

A um homem é necessário sonhos.
É necessário uma casa, um lar.
Um punhado de amigos fiéis.
Um bom terno, para eventos e eventualidades.

A um homem é necessário um trabalho que o honre.
Um salário que lhe permita viver dignamente.
É necessário certo conforto.
Ele merece também algum descanso.

A um homem é necessário um lugar para chegar.
Muitos livros, música. Muita música.
A um homem é necessária arte.
O riso é descanso da alma.

A um homem é necessário um amor.
O amor é delicioso desafio. Sorriso involuntário
Faz do homem menino-pássaro. Ele remoça e voa.
Beijos e abraços.

A um homem é necessário Deus.