domingo, 29 de novembro de 2009

Na tela dos outros é pecado.

Acabo de ler na Veja desta semana sobre um programa da Rede Record, A Fazenda, que é o genérico do Big Brother, que passa na TV Globo. Bem, um Big Brother já dose pra elefante. Dois deveriam ser um problema de segurança nacional. A diferença básica entre os dois programas é, além do orçamento, que o da Record usa os pseudo-famosos da televisão, aqueles que não deram certo na Globo e tentam ganhar uns trocados em outro lugar.

O que mais me chamou na atenção na reportagem não foi a tentativa da revista de traçar algum perfil psicológico dos participantes do programa “rural”. O que me fez refletir foi o fato de reportagem notar que a quantidade de peladas exibidas do programa do canal do bispo Macedo. Ninguém me responde por que uma instituição religiosa tem que ter uma rede de televisão (a não ser que esta fale de sua doutrina o tempo todo). Por que tem que ter um partido político, ou investir pesado em instituições financeiras. Bispo Macedo e sua turma representam a nata da hipocrisia religiosa que atua no Brasil. Sua Fazenda deixa constrangido até gente que não defende nenhuma religião. A TV da Igreja Universal deveria, pelo menos, ser mais comportada. Mas baixaria dá audiência, seja com bicos na imagem de Maria, seja com os peitos da Adriana Bombom.

A guerra entre a Record e a Globo tem um único objetivo: dinheiro. A briga por patrocínios e a ibope é pesada. Estão chegando eventos esportivos cujas transmissões televisivas renderão lucros altíssimos. Macedo não gosta das suas ovelhas. Gosta da grana das ovelhas e dos lobos. Como disse Jesus Cristo, a quem Macedo diz servir: raça de víboras.

sábado, 28 de novembro de 2009

Oinc-Oinc

Antes eu me horrorizava com o que Eduardo Paes dizia, agora eu até me divirto. A sua última pérola foi chamar os cariocas de porcalhões, devido à grande quantidade de lixo produzido na cidade. Num primeiro momento, o pronunciamento revolta. Mas depois, eu lembrei que papeis, embalagem, latas de refrigerante e cerveja, guimbas de cigarro e tantos outros detritos são objetos inanimados. O cara tem razão.

As pessoas não dão a mínima para o lixo que espalham pelas ruas. É só ver a quantidade de latas de lixos que existem versos a quantidade de sujeira no chão. Não podemos dizer que a Comlurb não atua com relativa eficiência. Basta ver como a praia de Copacabana está inacreditavelmente suja no final de um dia de sol e como ela desperta no dia seguinte (linda e pronta para mais um dia de desrespeito). Um dia desses, assisti um sujeito que reformava a sua casa jogar as telhas velhas em um poste há 50 metros de sua casa, na tentativa de se livrar do problema. Só que o cascão nem se atentou para o fato de a Comlurb ter um serviço de coleta de entulhos muito eficiente e gratuito. É assim um monte de gente se comporta. Outra praga são os donos de cachorro que levam seus respectivos totós para passear e não levam o saquinho para guardar o produto do tal “passeio”.

Eduardo é meio falador, inegável. Mas tem certas coisas que ele diz que são algumas daquelas verdades inconvenientes. Esse é mais um dos problemas de falta de educação de grande parte da população carioca. Assim como estacionar carros na calçada, fechar cruzamentos, buzinar à toa, andar de bicicleta em alta velocidade em vias compartilhadas com pedestres, pichar muros, etc.

É imprescindível notar que a esculhambação nos faz mais mal (é feio, mas está certo) do que bem. O Rio de Janeiro tem dois grandes desafios que são sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. É possível vencer os dois bravamente. Mas antes é preciso vencer o desafio maior de educar muitos de seus cidadãos. Sendo assim, caça aos porcalhões.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vai de retro, Barrichello

O verdadeiro motivo da barração do Imperador no jogo de domingo.

PLANTÃO DO GLOBO ONLINE

14h38: Barrichello ironiza rivais são-paulinos no kart: 'Sou Flamengo desde criança'

16h46: Queimadura no pé esquerdo pode tirar Adriano do jogo em Campinas.

18h03: Adriano está fora do clássico

Rubens Barrichello colocando seu pé frio a serviço do Curintcha.

Tirem as crianças da sala.

Entrará em cartaz o filme chapa-branca, contanto uma suposta história de Lula. Um verdadeiro culto à personalidade. Alguns dizem que existem paralelos forjados com a história de Cristo. Nascimento em lugar paupérrimo, criança prodígio, líder carismático que vai conduzir o povo à salvação.

São claras as distorções. Sabemos que filme faz parte da arquitetura para tentar eleger a discípula Dilma. Mas o perigo maior não está aí, mas sim na percepção das futuras gerações. O grande mérito de Lula — e talvez o único — foi não mexer nos fundamentos econômicos, que não foram construídos pelo seu governo. Foi não se aventurar, cedendo aos apelos delirantes das bases de seu partido. Foi entender que isso seria fatal para seu plano de poder. Contudo, o mensalão foi articulada na sala ao lado de seu gabinete, por seus companheiros José Dirceu, Genuíno, Delúbio e Silvinho, além de mais um bando de gente que foi classificada como quadrilha.

Reescrever a verdade é atrofiar a identidade de uma sociedade. Lula não tem a menor responsabilidade com as mentes de seus presididos. Tenta cercear a imprensa, questionando o seu papel vital de fiscalizar os atos dos políticos. Golpe desferido covardemente, a quem o ajudou a fiscalizar seus antigos inimigos e novos amigos de infância. O presidente parece querer tapar de qualquer forma os furos do casco de sua barca. Contar uma nova história é uma boa saída. O filme vai mostra um homem quase sem defeitos, um herói enviado para redimir uma nação. Vai virar minissérie na Globo e, óbvio, terá franca oferta de cópias piratas nas melhores barracas do ramo. Tudo para tentar converter milhões de pessoas ao Evangelho Segundo Lula. Pena que não terá um filme contando os Atos dos Apóstolos.

Tirem as crianças da sala.

domingo, 22 de novembro de 2009

Elis Regina

Não adianta.

Antes dela era uma expectativa, depois dela restou carência. Elis Regina foi a maior cantora brasileira de todos os tempos.

Nada se compara a Elis. Nem tentem achar paralelo, desistam de achar uma sucessora. Nem Maria Rita, nem ninguém. Elis é uma espécie de alinhamento de planetas. Pena ter morrido tão cedo. Pena as novas gerações não terem sido levadas por seus pais aos shows de Elis.

Energia, talento, senso de palco e de grupo. Artista, não celebridade. Coloco abaixo, dois vídeos interessantíssimos. Um ao vivo no festival de Montreaux e outro retirado do programa Ensaio, da TV Cultura. No primeiro, uma mostra do que Elis fazia ao vivo. No segundo, vemos a cantora contando como as Águas de Março apareceram em sua vida.

Ivetes, Danielas, Claudias, Anas Carolinas e tantas outras. Como diria o Capitão Nascimento: Peçam pra sair.







sábado, 21 de novembro de 2009

Inconsciência Negra

No final do 20 de novembro, eu me sentia e me via mais negro. A praia estava ótima. O sol brilhante, e a água refrescante. Cheguei cedo e achei uma vaga para o carro facilmente.

Feriado estranho esse: Dia da Consciência Negra. Criado no Rio de Janeiro e que vem se espalhando por vários locais, ele é um deleite para os grupos da militância negra e para os oportunistas de plantão. Todo ano é a mesma coisa. Um mega despacho nas cercanias da estátua de Zumbi dos Palmares na Avenida Presidente Vargas, gente fantasiada com aquelas roupas coloridas e, claro, muitos discursos engajados. Pelos outros lugares onde existe o feriado a coisa não é muito diferente disso.

A data é uma das distorções mais sutis de nossa sociedade. Temos esta marca na história de nosso país, a escravidão. Primeiramente foram os índios e depois os negros — mais duradoura e marcante. Sabemos de todos os males que a escravidão causa, em qualquer sociedade ou em qualquer país. Ela é sinônimo e motivo de preconceito, faz estragos em povos inteiros e os custos de reparação são sempre enormes. Nada justifica o julgo de um homem sobre outro. Mas a reparação não se dá com datas e feriados. Talvez com um olhar para frente e não com uma lembrança contínua do “pecado” social.

Ultimamente, tem sido pregada no Brasil a idéia de que somo divididos em grupos raciais. Raça não existe, é um conceito derrubado pela ciência. Infelizmente, não foi derrubado em muitos corações e mentes. Aí é que a coisa pega. As mensagens de segregação vêm sendo lançadas sutilmente na sociedade brasileira. Insistir em símbolos como Zumbi é um deles. Outro? Reparem então no slogan do governo federal: Brasil um país de todos. Uma frase bonita, que não esconde certa verdade. Mas a logomarca é feita com várias cores que não se misturam. Uma contradição para um país que se caracteriza pela interação direta entre as várias cores de sua gente. Isso me faz lembrar uma propaganda antiga de um cigarro que mostrava pessoas com hábitos e escolhas diferentes, dizendo que as pessoas tinham algo em comum, mas exacerbando na separação.

Não me identifico com esse feriado. Sou negro, mas não sou tapado a ponto de achar que um feriado ajuda a mudar uma condição. Vejo nosso país como um lugar de encontros. Onde Villa-Lobos encontra Pixinguinha, onde Tom Jobim encontra Cartola. Onde negros, brancos, asiáticos e índios se apaixonam, se casam e formam uma gente alegre, misturada e diferente de qualquer lugar no mundo. Nossas diferenças e desvantagens sociais só serão resolvidas se caminharmos na direção do que nos faz iguais.

Para o feriado do próximo ano espero que faça o mesmo sol. Certamente dormirei mais negro do que acordei.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Cadê a música?

Inspirado no post “...que a música me perdoe”, no blog O rio corre para o mar.

Stella Junia, a dona soberana do blog citado acima, quando fala de música é bom que todos fiquem calados. Ela tem muita moral para alertar sobre banalização da música, de sua transformação em produto de qualidade duvidosa e da falta de cuidado com tão bela expressão.

Impulsionado pela leitura “stellar” e por mera observação, vou tocar no assunto mais de outro ponto de vista. Aliás, pela falta de vista. Não vejo mais lugares onde se apresentavam os grupos instrumentais no Rio. Tirando uma ou outra casa que funcionam quase à margem da vida cultural carioca. Nelas ainda se apresentam músicos de primeira linha, alguns foram ícones da música instrumental brasileira nos anos 1980 e 1990. Conversando com um amigo contrabaixista profissional, tive a impressão que os músicos cariocas quase se estapeiam para tocar nesses lugares. Muitos migram para São Paulo, outros para fora do país mesmo.

Muita gente acha que música instrumental é musica de nicho. Eu também acho. Mas ela é essencial para o aprendizado e aprimoramento dos músicos. Seja executando, seja assistindo. Os músicos precisam ver outros músicos tocando. É essencial. Daí um dos motivos da pobreza musical. A música tem dinâmica, pausas e silêncios e a assimilação desses elementos é mais efetiva de forma presencial. Logo, se isso não é visto não é aprendido em sua totalidade.

A cena musical do Rio está paupérrima. A Lapa voltou a ser lugar de moda porque toca um samba de consumo para classe média descolada. Os clubes de jazz e os shows ao meio-dia e de fim de tarde no centro da cidade não existem mais. As rádios em sua maioria são compradas pelo jabá do pelo pagode dos mal amados e pela gritaria sertaneja. Ou então dominadas pelos barões do famigerado funk das favelas, deixando de ser veículos de informação do que é vanguarda. A música clássica ou é executada com excelência pelas grandes orquestras para um público reduzido, ou é mal tocada por conjuntos formados por estudantes de escolas comunitárias. É dose.

Em tempos em que tudo no Rio é olímpico, joga-se fora a história do Rio musical, casa de Tom Jobim, de Villa-Lobos, Pixinguinha, Noel Rosa, Cartola e tantos outros. Denúncia: estão matando a música carioca de inanição.