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Mostrando postagens de 2013

Novo ano novo.

Era fim de ano. E ele sempre fazia votos, todos finais de ano. De que mudaria a vida, de que emagreceria, de que se alimentaria melhor. De que mudaria de emprego, para algo que o fizesse feliz. Arrumou algumas gavetas. Encontrou fotos antigas de amigos dos tempos da faculdade de Economia. Com alguns ainda tinha contato raro, já outros eram somente uma lembrança da foto amarelada que registrara um momento feliz de qualquer um daqueles anos agitados. Achou também bilhetes de passagens aéreas, postais, contas vencidas e até um cartão de aniversário de uma ex-namorada. Rasgou algumas coisas, outras guardou em uma pasta dessas de papelão. Etiquetou: Fotos e lembranças. O telefone tocou. Era sua mãe, perguntando se ele iria no almoço de final de ano. “Seu pai está doente. Vai gostar de ver você”, ressaltava ela. A doença do pai era algo que lhe incomodava. O homem ativo e audacioso de outrora, agora era um velho fraco e dependente. Não gostava de ver seu pai, um verdadeiro herói da sua

Somos todos tricolores.

Reclamou-se dos voos com o avião da FAB de Renan Calheiros. Reclamou-se dos cabides de empregos no Senado no armário de José Sarney.  Reclamou-se da banheira de hidromassagem de Benedita da Silva no apartamento funcional em Brasília. Reclamou-se do helicóptero de Sérgio Cabral.  Mas a sociedade brasileira é reflexo disso tudo. Cada um quer seu passeio no avião da FAB, sua banheira de hidromassagem ou seu helicóptero. Afinal, são prerrogativas e privilégios do cargo. Em tese, não há lei que proíba um governador de andar de helicóptero. Ele pode alegar fatores relacionados à segurança, velocidade de deslocamento e até de privacidade estratégica. Todos motivos, digamos, legítimos. Renan Calheiros, ao ser perguntado se pagaria por seus vôos nos aviões da FAB foi taxativo: "De jeito nenhum. Sou um senador e chefe do Legislativo." Moralidade e legitimidade se enfrentam no campo da Justiça. O STJD nos mostrou isso, ao julgar o "caso Portugesa". Mostrou o reflexo d

Acordava

Era dia claro Ali, tão caro e tão fácil  Era a rua, era a gente  Era verão e sol quente Era o mar. "Tanto mar, pra quê?" Para mergulhar, banhar  Minh'alma lavar Era tanta coisa boa Risada à toa, gritaria de crianças Nova esperança batendo na porta Isso que importa A alegria por nada a esperar Surpresa, bem-vinda.  Pode chegar. 

Descanse, Madiba. Descanse...

Madiba se foi. O maior líder que eu vi. Ou que, pelo menos, viveu no mesmo espaço de tempo em que eu tenho vivido. Morre um homem, fica o seu exemplo. Morre um líder, permanece o seu legado. O mundo fica mais pobre e mais escasso de nobreza sem Nelson Mandela.  Descanse em paz, Madiba. Que Deus lhe receba com festa no céu. 

"Esquenta" e queima (o filme).

O Jornalista capixaba Marcos Sacramento perguntou se a atração dominical  "Esquenta", exibido na Rede Globo, é o programa mais racista da TV. (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-esquenta-de-regina-case-e-o-programa-mais-racista-da-tv/) Eu respondo: Sim. Disparado. Começo pela sua apresentadora, Regina Casé. Não é de hoje que ela se faz às custas de esterótipos pejorativos. Casé é muito, mas muito, inteligente e percebeu que captar e usar a linguagem das ruas. E agora tirou da cartola mágica este programa. Muitos não percebem, mas "Esquenta" é um reforço ao modelo que os negros brasileiros foram condenados, desde o fim da escravidão.  Explico: Em "Esquenta", o que existe é o reducionismo dos negros brasileiros ao caos. Isso é refletido no cenário, nos continuismos e cortes do programa, como as atrações se apresentam. É tudo bagunçado, poluído visualmente, com jeito de improvisado, de feito de repente. Igual a um churrasco na lage. Aí

Desejável

Um carro conversível Um beijo inflamável Um coração inquebrável Uma voz audível Um cheiro inesquecível Um amor impossível Uma fé inabalável O mais rápido possível

Quando Quanto Tanto

Quando foi tanto  Quando era tudo Quanto, quanta Tão rápido,  um tanto demais Quando lembro Tanta coisa Quanto foi  Quando dói  Quando nós Éramos tanto

À Poesia

À poesia eu me rendo Oferecendo homenagem À poesia eu me entrego Denuncio, mergulho no rio que me leva, me joga no mar  de rimar, de sentir, escrever No mar de eu mesmo ser  Sem necessariamente ser  Eu, meu, o sentimento  Meu agradecimento Pois não sei como seria.  Sem minha senhora poesia. 

A Felicidade dos Outros

Felicidade alheia é incômodo somente para os infelizes. Ou para os egoístas. Como uma vez disse meu amigo Deleon Carvalho, muitos querem a nossa felicidades, desde que essa felicidade não seja maior do que a deles. É verdade.  Mas a felicidade tem tamanho? Ela pode ser fingida? Não, para a primeira pergunta e sim, para a segunda. Na minha opinião, felicidade é absoluta. Não existe fração para a felicidade. Ou se é feliz ou não se é feliz. Já sobre fingimento, desde que o mundo é mundo, finge-se sobre qualquer coisa, principalmente a felicidade (e suas modalidades).  Tá. Mas e daí se estão fingindo? O preço da mentira, neste caso, quem vai pagar não é quem a assiste e sim que a prega. Se a pessoa finge ser feliz, no mínimo ela está adiando seu encontro com a verdade, enxergar a realidade e ir em busca de uma felicidade genuína. É um flagelo pessoal. Por isso, me estranha ver gente choramingando sobre o exagero de "exposição da felicidade" nas redes sociais. Se a felic

Passado

Viu Sorriu Conheceu Ligou Sentiu Combinou Aumentou Deleitou Parou Doeu Sofreu (Quase) Morreu Levantou Andou Partiu Aprendeu Seguiu Viveu 

Cristo não. Perimetral sim.

Imaginemos a seguinte situação hipotética: Eduardo Pães decide instalar uma estátua gigante de Jesus Cristo no alto do Corcovado. Esta estátua seria um projeto realizado por uma parceria entre franceses a brasileiros e o desenho seria escolhido através de um concurso.  Seria polêmica na certa. Rapidamente, apareceriam os "verdes", alegando que uma estátua aberta a visitação num dos pontos mais altos do Maciço da Tijuca seria uma violência ao ecossistema do local. Surgiriam também os ateus e não cristãos, reclamando que uma representação de Cristo não deveria ser paga com o dinheiro do estado, que é laico pela Constituição. Seriam discursos inflamados, passeatas, atos públicos. A internet estaria lotada de blogs, posts, artigos e movimentos nas redes sociais.  Gente na rua, Black Block, gás de pimenta. "Fora Paes", "Fora Cabral", "Cadê Amarildo". "Com o dinheiro dessa estátua dá pra fazer x hospitais e y escolas." Paes

O Perdão

O perdão é uma espécie de consolo. Há coisas que não podemos mudar. Existe o rio e seu curso, ele sempre irá para o mar.  O perdão é tirar o excesso de peso na bagagem. É entender que quanto menor o fardo, mais fácil é a caminhada.  O perdão é um acerto de contas com o passado. É transformar o presente. É semear o futuro.  O perdão é um jeito de crescer. É tirar o sapato que nos aperta, a roupa que nos incomoda. É vestir algo confortável e adequado. O perdão é gostar de si mesmo, ao ponto de perdoar para merecer o perdão. É buscar o conforto da própria alma.  O perdão é experimentar a paz. É aparar arestas através da erosão da sabedoria. É cessar a guerra e estender a mão.  O perdão é um difícil exercício. Porém, compensador. É o esforço do amor ao próximo refletindo o amor de Deus.  O perdão vem de Deus. 

Estrelas

Quisera eu ter estrelas Muitas delas, todas belas Quisera eu tê-las E a ela presenteá-las Para olhá-las Na noite escura e fria E lembrá-la do amor que a faria Quisera elas fossem guias Estrelas... que me levassem até ela

Sobre as capas de revistas.

As mulheres sempre foram observadoras de si mesmas. Nos detalhes, cada um deles. Elas sabem exatamente a cor do esmalte que as outras estão usando, as diferentes tonalidades de cor de cabelo, se aquele corte está na moda ou se o sapato que a Fulana está usando na festa é o mesmo que a Beltrana usou no casamento da Sicrana. É típico da mulher observar e se observar. São horas de espelho. Qualquer superfície polida pode ser espelho. São cremes, batons e tantos outros cuidados e adornos que meu cérebro masculino não absorve nem um centésimo desse conhecimento. Isso sem contar os famigerados dois quilos (quase folclóricos) que as mulheres sempre querem perder. Por falar em quilos, vêm à lembrança as capas de revistas de moda feminina. Verdadeiros cultos à irrealidade. Modelos esquálidas, chapadas, restas e retocadas (ou seriam refeitas?) pelo Photoshop. Aquilo não é uma verdade, pois sim uma mentira muito bem contada, ao longo do tempo. A mentira de que perfeição e beleza estão di

Dois

Nada mais que dois A sós, os nós desfeitos Defeitos, perfeitos Como que feitos Um para o outro Um encontro Estrondo e silêncio Paz do cansado prazer O que há de ser Não querem saber Somente adormecer

O que tem...

Tem a correria, acordar cedo Sem tempo de dar adeus Sem tempo de falar com Deus Tem o transporte difícil, cheio, quente Quanta gente... Tem o trabalho que se acumula Tem a pressão, tem a tensão  Da incerteza, muitas vezes falta clareza Tem a comida cara, tem a escola dos guris Tem dela a boca rubi Tem a carne e o perfume Tem a vontade e o ciúme  Tem a família  Tem a pilha de contas Tem o que sai da conta Tem o que não é da sua conta Tem plano, de saúde, de previdência,  Tem o governo. Quem? Não tem Tudo que não vem... Tem o sonho e a realidade A ilusão e a verdade  Tem a amizade e a falsidade.  Tem o mar e o Maraca Tem o amar e o prazer Tem a libido e a brochada Tem o que funciona e o que falha Tem o machucar e o doer Tem o interior e a fachada Tem o que ajuda e o que atrapalha Tem uma vida toda pra viver E não tem nada melhor que valha. 

Era

Era mar era areia Era sal era sol Era vento era calmo Quisera Eu quis Era, ela Quem dera... Era primavera

Os teus

Os ângulos de teus maxilares Os teus cílios salientes As pintas da tua pele A tua pele... O teu queixo bem formado O teu cabelo derramado nos ombros Teus ombros... Teus braços um tanto longos Tuas mãos delicadas, decoradas em vermelho Teu quadril covarde Tua cintura, maldade... As tuas coxas fortes As tuas panturrilhas salientes Mas é tua boca...  Que fala, que diz O que a Deus eu fiz? Beija-me, boca Da louca que exala esse cheiro Teu cheiro...

Sorrisos

Raros sorrisos Caros sorrisos Diárias surpresas De cotidianas belezas Claros sorrisos Sem claros motivos Que nos lembram vivos Que nos esquecem tristezas

CONTO Nº. 02

Era domingo. Fria manhã. Ela acordou mais cedo que o usual.  Sentiu-se estrangeira na própria cama, apesar do cenário batido.  Fechou os olhos, na ilusão de que, ao abri-los novamente, tudo poderia mudar.  Não mudou.  Ela ouvia a respiração profunda, pontuada, incômoda. Tudo se tornara incômodo. Não o reconhecia mais. Não se reconheciam mais. Ele era o homem que ela julgou que amaria para sempre. Não que ela tivesse deixado de amá-lo. Talvez, sim... Provavelmente. Mas era difícil aceitar. Já não havia mais o ânimo de antes, a vontade, o brilho. Não era a rotina, não eram problemas. Simplesmente não era. Mais nada.  Levantou. Pela fresta da persiana, ela notou as poucas gotas de chuva. Olhou para a cama e percebeu que se ela desaparecesse o sono dele não seria interrompido. Mudou a roupa, lavou o rosto, calçou um par de tênis. Foi à cozinha, bebeu água. Saiu. No espelho do elevador, via-se por inteiro. "Merda. Engordei.", pensou ela. Mesmo assim, enxergava-se bela

Aprendendo...

Que ansiedade não antecipa acontecimentos. Que arriscar é preciso. Que saber esperar também é. Que se apaixonar rejuvenesce. Que se conformar envelhece. Que elogios podem ser sinceros. Que ter dinheiro importante, mas nem de longe é ter sucesso. Que a benção nasce no fato de ser agradecido. Que o amor pode não ser correspondido. Que o amor pode ser reprimido. Que o amor pode confundir e ser confundido. Que o amor, mesmo assim, é essencial. Que sorrir é mais barato e mais eficiente que qualquer creme dermatológico. Que fazer quarenta anos não dói. Que fazer tatuagens, isso sim, dói. Que parar de aprender é se atrofiar por dentro. Que as mudanças mais significativas começam dentro de nós mesmos. Que os filhos devem ser tratados como dádivas de Deus. Que os melhores presentes nunca são comprados em lojas. Que depois do final tudo é começo.

Romance versus Casamento

O casamento romântico parece ter virado uma utopia abandonada. Ruim duas vezes. Por ser utopia e por se abandonada.  O casamento (leia-se vida de dois que decidem seguir juntos) é uma tarefa difícil. Mas que pode ser muito melhor, se rolar romance e não troca de favores em que se transformou, em muitos casos. Ele dá papo e ela dá sexo. Ele põe dinheiro em casa e ela mantém as coisas em ordem.  Isso é muito confuso e perigoso. As coisas mudaram e tem muita mulher ganhando mais que seus maridos e muito homem que quer ser ouvido e precisando de colo.  Casamento tem princípios, não regras. E o romance deveria ser um princípio que servisse para amenizar as diferenças. Não se casa sem namorar, não se namora sem romance. Com exceção dos (e das, principalmente) masoquistas, namoro é um pudim de romance. São flores, bilhetes, viagens, presentinhos, carinhos expontâneos. Vem o casamento, a rotina, as contas, os filhos e o romance some.  Eu pergunto: Quando a correria acabar (se

Poemas Escondidos

Faço poemas escondidos Quase em segredo de estado Minha desobediência civil Conto de um amor perdido De um coração machucado E dela que se foi num abril Não os mostro a ninguém É coisa minha falar desse alguém É culpa minha, nada além Essa vontade que vai e vem... Tenho poemos escondidos Histórias de um amor perdido Amor que poderia não ter sido Aí não seria amor,  Seria em vão tempo vivido.

Uma tarde.

Uma morna tarde banhada pelo mar. Dourada pelo sol.  Combina com as amêndoas preguiçosas dos seus olhos... Amigos, algumas crianças. A s nossas e as dos nossos. Alguém que não se vê ha muito chega. Quem poderia imaginar?  Mas chegou. Trazido pela surpresa e pela celebração. Gargalhadas filhas da brincadeira de velhos conhecidos.  Uma música antiga. E eu lhe fito, espreito, observo. Você em trejeitos e intonações. Seus gestos e roteiros. Cuidadosa, amorosa e um tanto dengosa.  Seu perfume, de um jeito que só eu percebo. Preciso e suave. E você me olha, descobre-me em meu doce delito da admiração velada. Era somente uma tarde de primavera. De tantas tardes que poderíamos viver. Uma tarde boba, como qualquer uma.  Dourada pelo sol.  Que combina  com as amêndoas preguiçosas dos seus olhos...

Manifesto da Recusa

Eu recuso o que aí está. No modelo de vida que anda se espalhando. Eu recuso o discurso de que a felicidade vem pelo que se tem e não pelo que se é.  Eu recuso o fato de pessoas se casarem somente por medo de ficarem sozinhas, bem como os casais que permanecem juntos somente por comodidade.  Eu recuso o medo de mudar, de arriscar, de ceder, de transgredir, de protestar, de revolucionar e de se apaixonar.  Eu recuso a falta de educação, a falta de "por favor" e de "obrigado". Eu recuso a ditadura das capas de revistas, que deixa esquálidas mulheres de formosas curvas e assassina a autoestima de outras tantas, só porque estas não se enquadram no padrão imposto.  Eu me recuso esquecer a diferença entre o que é normal e o que é comum.  Eu recuso a nova ideia de que honestidade é qualidade. Honestidade é uma característica que deve ser natural a todos.  Eu recuso qualquer tentativa de me impedir de mudar de opinião. 

Flores

Trago-te flores Variadas e suaves cores Frescos odores  De amores e algumas dores Flores de primavera  Para lembrar do tempo que era E te fazer sorrir para tempo que vem Talvez um grande bem... Isso as flores trazem também.  Trago-te as flores que escolhi Entre sentimentos que colhi  Quando te vi andar, querer, viver  Trago-te flores  Elas dizem o que por hora não sei dizer.

Homem apressado

Trabalhava e ganhava Vivia cansado  A prole, a mulher, amigos Dilemas conhecidos Cinema, mãos dadas  com a amada Nunca mais O moleque cresce Não o conhece  Nunca mais Sem celular, nunca mais Morreu, escafedeu  A vida boa que adiou não conheceu 

Em setembro

Encontra comigo em setembro Num dia que já não lembro Mas não importa  Desde que a porta esteja aberta Da tua vida, de teus dias Que a lida seja nossa  Que mesma seja a bossa Casa comigo numa tarde  suave e florida de setembro  Morna e solar Naquele lugar  de onde se vê o mar Chama quem tiver de estar Que venham testemunhar Como é lindo contigo em setembro ficar

Duzentos anos

Quero viver muito cento e cinqüenta De morrer cedo morro de medo Vou escrevendo... Posso duzentos viver se alguém insistir me ler

O pior da morte (Uma crônica sobre o que seria depois do fim)

O pior da morte não é ela em si. Não é o ato de parar as funções vitais e interromper um espaço temporal. O pior da morte começa no instante seguinte. Quando começa o tempo da falta. Quem morre deixa um buraco. Não sabemos lidar com a ausência de quem nos é importante. Quão duro é o aprendizado. O pior da morte é quando varremos a casa, arrumamos os armários e esvaziamos as gavetas. É quando pagamos a conta de luz, o condomínio e o seguro do carro.  Cancelamos viagens, projetos e sonhos. É quando organizamos as fotos e lemos cartas antigas. O pior mesmo é quando achamos aquele bilhetinho no bolso do paletó. O pior da morte é voltar a certos lugares. Sentir o perfume preferido de quem morreu em alguém desconhecido. É ser pego de surpresa pelo rádio tocando aquela música. É olhar a vitrine e lembrar que aquela roupa ficaria perfeita. O pior da morte é o cinema sem as mãos juntas. Sem o beijo roupado na cena chata. Sem ter com quem dividir o    enorme  saco

Chronos

Em junho nasci Amei em setembro Em abril sangrei Quando morri  não lembro Em agosto renascia Hoje vivo em poesia