Queimando o filme até a última ponta

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso encontrou uma nova bandeira. Agora ele defende publicamente a descriminalização das drogas. Segundo ele e muitos outros que defendem a causa, os países da América Latina falharam nas suas tentativas de combate ao uso. Sendo assim, o mais eficiente seria tratar quem usa como um problema de saúde do que um caso de segurança. Isso é perfeito... Na Suíça.

FHC, se não sabe, deveria saber as condições dos sistemas de saúde nos países da América Latina, principalmente no país do qual ele foi presidente por oito anos seguidos. Não conseguimos dar conta de um mosquito miserável, que mata um bando de gente todos os verões. Já somos os campeões de mortes de H1N1. Como vamos cuidar dos viciados que vão invadir os leitos e sugar o pouco recurso que se dispõe para a saúde? Concordo quando ele diz que falhamos na tentativa de vencer o tráfico de drogas. Qual país pobre não falhou? Está na cara que país pobre nunca vencerá o tráfico, seja ele de drogas, de armas, de pedras preciosas, de gente.

Esse assunto de descriminalizar a droga é muito perigoso. Coloco essa medida no mesmo pacote das cotas. A raiz do assunto ninguém corta, com e sem trocadilhos. FHC, com toda a sua erudição e experiência poderia abraçar causas mais nobres. Queimou o filme. Ainda não entendi quão abrangente é o “problema de saúde”. Se são somente os filhos que fumam, picam e cheiram todo o patrimônio de seus pais. Ou os pais que comprometem todas a formação de seus filhos ao usarem o dinheiro do lar com o vício. Ou ainda os perfurados pelas pesadas armas usadas na guerra do tráfico.

Isso é papo de país rico, de povo bem nutrido, bem educado e com um sistema de saúde exemplar. Ah! Já ia me esquecendo... De país não cultiva em suas terras nenhuma dessas plantinhas perigosas. Esse negócio é muito lindo, no papel. Com e sem trocadilho.

Comentários

  1. Como diria Antero de Quental:

    A futilidade num velho desgosta-me tanto como a gravidade numa criança. V.Exa. precisa menos cinqüenta anos de idade, ou então mais cinqüenta de reflexão

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