O Hexa e Eu Sozinho.

Caros leitores do ZAD, impossível não falar da conquista do Flamengo. Hexacampão! Num campeonato cuja fórmula quase condenava o rubro-negro a uma eterna posição de coadjuvante de luxo. Eu poderia falar da festa da torcida, linda como sempre. Ou então, do verdadeiro presente de última hora, que foi conseguir assistir ao jogo histórico no Maracanã. Mas não é isso que quero relatar.

Fui ao Maracanã, acompanhado pelo meu grande amigo Marlon (um irmão não sanguíneo). Aliás, Marlon merece um comentário a parte. Amigo de todas as horas, nossa amizade é potencializada pela paixão que temos pelo Flamengo. Dentre tantas coisas que nos une, o Rubro-Negro da Gávea é uma espécie de sacramento. Sinceramente, não lembro a última vez que pisei no Maracanã sem a companhia de Marlon. Merecíamos estar lá hoje. Não seria justo ficarmos de fora. Pois bem, fomos à festa.

Noventa minutos de tensão, medo de chegar tão perto e não alcançar o título desejado. Tudo compensado pelo gol salvador do Angelim. Final de jogo, grito de campeão solto com toda a força que minhas cordas vocais permitiram. Lágrimas? Sim, algumas. Uma vez, o tricolor Jô Soares falou das lágrimas do choro vencedor. Hora de sair do estádio. Marlon teve que seguir à diante, pois tinha um compromisso imperdível. Estou sozinho. Aprendi que em momento de extrema felicidade, é maravilhoso ter um momento de solidão. Saboreei a vitória, o título, o grito e os cantos da torcida sem dividir com ninguém. Sorriso incontido, incontrolável. Peito cheio de alegria. Lembrei de tantas coisas... Da influência da minha mãe e dos jogos que assistíamos juntos pela TV — saudades dela e dos jogos históricos contra o Cobreloa na final da Libertadores. Dos pôsteres no quarto de garoto, dos times de botões. Lembrei de alguns pedaços que talvez sejam uns dos melhores da minha vida.

Tenho a sorte de ter visto todas as grandes conquistas do Flamengo. Muito novo, vi a geração de Zico, Junior, Andrade, Leandro, Adílio e grande elenco. Desde o último título nacional do Flamengo, muitas coisas aconteceram na minha vida. Agora, o sentimento vem novamente com Adriano, Bruno e Petkovic. Mas, sozinho na saída do Maracanã, não sou mais o menino. Sou homem feito e alguns dizem que homem não chora. Chora sim. Chora muitos choros. Dentre eles o choro vencedor.

Comentários

  1. Choro muitos choros..... é o mix da vida....entre boas surpresas e surpresas desagradáveis nas curvas inesperadas.

    Domingo passado eu estava num ensaio de coro na hora do jogo. Pedi ao MArio para mandar torpedos a cada novidade, para o meu celular.

    Foi terrível. Um deles dizia- ' Inter líder, Sp 2º"

    E eu lá tocando... até que veio o torpedo :- " Campeão".

    Estava com muitas pessoas na igreja, mas aquela expectativa era solitária, absolutamente solitária.

    Quando saí de carro para casa, a primeira coisa que fiz foi abrir a janela do carro e gritar : MEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEENNNNNNNNNNGOOOOOOOOOOOOOOOOO.

    Estava sozinha também...a solidão e suas faces múltiplas...só eu estava comemorando.....explodindo....


    Mas segundo Yung há um coletivo que nos une.

    Estamos juntos.

    bj
    Stella

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  2. Realmente este hexacampeonato trouxe à tona muitas emoções...
    Sou flamenguista desde que me entendo por gente. Mas nunca me considerei fanática como meu pai.
    Tenho que dizer que agora estou indo a todos os jogos. Xingando, gritando, cantando todos os hinos e finalmente...chorando!
    hj entendo muito mais a paixão que o meu pai tinha pelo Flamengo!
    Com meu manto sagrado...a bandeira na mão...o Maraca é nosso!VAI COMEÇAR A FESTA!!!!!!

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  3. Não vou ao Maracanã desde a despedida do Zico, que ocorreu no dia 06.02.1990. Não sinto falta, pois acho a ida ao estádio muito estressante. Mas acompanho futebol como poucos, inclusive escrevo num blog representando o time do Flamengo, e essa última conquista foi demais, tinha me esquecido de como era bom ser campeão brasileiro e a torcida do Flamengo realmente é incrivel. Um amigo nosso que mora em Belém do Pará, o Henrique (Jarrão), pagou R$ 350,00 pelo ingresso, fora a passagem de avião, para vir assistir o jogo. É realmente muita paixão!

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