O Sacrifício da Felicidade


Sacrifício e felicidade são coisas que nos remetem a situações opostas. Mas uma está no caminho da outra. Buscar a verdadeira felicidade requer alguns sacrifícios. E a questão que vem é o que a verdadeira felicidade e o que é sacrifício. 

Eu diria que verdadeira felicidade é aquela que sua. Um tanto egoísta? Discordo. Afinal, é impossível fazer os outros felizes sem ser essencialmente feliz. Esta felicidade não depende de padrões, rigores ou dogmas impostos pela família, credo ou pela sociedade. Até porque os cenários mudam e com eles os modelos. Parece óbvio, mas muitos confundem felicidade com aceitação. Ser aceito em um grupo, num relacionamento ou até mesmo na própria família não tem relação direta e proporcional com a felicidade. Muito me preocupa quando vejo alguém garimpar a sua felicidade na mina do outro. Aí é que mora o perigo. 

Por ter que cumprir uma regra que não é essencialmente sua, há um sacrifício grande em renunciar, em se deformar e até se diminuir para se enquadrar no modelo. E depois, quando se especula sair de tal modelo, o sacrifício de frustar que se é esperado é tão grande que, em muitos casos, se prefere o sacrifício primeiro (de se adequar ao modelo) e permanecer como se está. 

Ser verdadeiramente feliz pode implicar em decepcionar a quem nos ama e que espera de nós certas atitudes. Isso é dolorido, mesmo que tenhamos a certeza de que é o melhor para nós. Mas se existe amor genuíno, com o tempo as coisas se aplainam. Principalmente se, ao nos perceber felizes, quem nos ama pra valer constata que a felicidade verdadeira não é aquela receita de bolo familiar, passada de mãe para filha por seguidas gerações.

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