Taxa de serviço

Já disse antes: o Rio não pode errar. Ter sido escolhida sede das Olimpíadas de 2016 e ser, muito provavelmente, o palco da final da Copa de 2014 faz da cidade mais vitrine que nunca. Já tivemos alguns exemplos disso. O faturamento com turismo no verão chegou a quase R$ 1 bilhão. Reflexo do que a perspectiva de um evento mundial pode nos trazer de bom.

Mas temos ainda um longo caminho. Além de aprender a não sujar as ruas e mantê-las limpas, é preciso resolver o caso de mendigos e pedintes, organizar os transportes e aumentar a sensação de segurança da população. Entretanto, se existe algo que estamos a anos-luz de melhorar, é o atendimento nos serviços oferecidos na cidade. No Rio, a gente tem que conviver com uma sensação de que os prestadores de serviço não estão nem aí em nos atender e nos tratar bem. É só reparar como os cobradores e motoristas de ônibus, bilheteiros de trens e metrô e muitos taxistas tratam que utiliza estes serviços. Os garçons merecem um comentário especial: atendimento bom, só quando o garçom conhece o cliente e sabe que a gorjeta é boa. Alguns nem olham para seus clientes e ainda fazem cara feia quando se reclama de algo.

Qualidade nos serviços é uma das fronteiras que teremos que vencer nos próximos anos. Não adianta termos uma natureza estonteante, gente bonita e bronzeada, manifestações culturais interessantes e sol generoso se não soubermos receber quem estar disposto a deixar recursos na cidade — seja estrangeiro ou não. Isso requer preparo e treinamento. O Rio precisa urgentemente qualificar seus prestadores de serviço. Desde o faxineiro do aeroporto até a vendedora (metida à besta) que trabalha na loja bacana no shopping. Não somos Nova York nem Paris. Um dos motivos pelos quais os gringos procuram o Rio é justamente isso. Eles esperam pelo calor da cidade, não só dos termômetros, mas também das relações interpessoais.

Turismo receptivo é uma espécie de exportação sem sair do lugar. Nossa vocação turística sempre foi colocada em segundo plano. O momento que vivemos é especial, os olhos do mundo se voltaram para o Rio de Janeiro de forma muito generosa. Estão redescobrindo o Rio e, a reboque, o Brasil. Os eventos acontecerão e serão esquecidos. Já a impressão que deixarmos da cidade (e do país), ficará por muito tempo.

Comentários

  1. Alexon,

    Treinamento precisam os capixabas, que acham que o turista só traz problemas para o Estado.
    O vendedor/empresário não está preocupado se você vai procurar o concorrente, pois TODOS pensam da mesma forma. Capixaba se contenta com pouco e acha que o carioca é metido a eXperto por querer educação e qualidade no atendimento.

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