O que o Brasil vai ser quando crescer? E outras perguntas.

Década de 1970. Brasil e Coréia do Sul são detentores do mesmo IDH* (Índice de Desenvolvimento Humano). Trinta anos depois, a Coréia do Sul tem um dos melhores índices de qualidade de vida, é uma economia de grande porte e seu povo tem um alto grau de educação e renda. O Brasil consome vorazmente produtos eletrônicos e carros (eles já são 25% da frota licenciada em 2010), ainda padece com uma desigualdade social enorme, muito concentração de renda, violência e pobreza.

O que aconteceu neste período para que os dois países se tornassem tão diferentes? Alguém pode dizer: a Coréia do Sul é minúscula perto do Brasil e tem muito menos gente lá para se melhorar a vida. Eu responderia: mas o Brasil tem uma infinidade de possibilidades, espaço e posição logística estratégica e não temos um vizinho nos apontando armas. Temos muito mais vantagem que a Coréia.

Falta-nos na verdade um projeto de país. Um projeto consistente, respeitado por todas as correntes políticas e governos. Um alvo, uma meta como nação. “Queremos ser isso ou aquilo, em tanto tempo. Para isso acontecer, vamos passar por estas fases e tomar estas medidas.” Isso não existe aqui.

A estabilidade da economia brasileira começou no governo Itamar Franco, passou por FHC, está passando por Lula e vislumbrando Dilma. Todavia, ainda não se sabe onde o Brasil quer estar daqui a 30, 50 anos. As discussões são em torno das eleições são sempre as mesmas: um legislativo que não legisla corrigindo o presente e preparando o futuro, quase impedindo o executivo de governar para presente e o futuro; um judiciário, com suas montanhas de processos, não se desvencilha do passado. Além da corrupção endêmica, que para muitos é sem solução.

Voltando aos anos 1970, década em que nasci. Sou forçado a imaginar como seria minha vida se eu fosse sul-coreano. Em que sociedade eu viveria, quais as oportunidades que teria e o que teria feito delas. Neste meu exercício, forço-me de novo: agora imagino sobre como seria o Brasil se um projeto integrado de desenvolvimento do país fosse iniciado há trinta anos (minha grande preferência, óbvio).

Os eventos que tanto diferenciaram dois países que viviam situações sociais semelhantes (sendo que a Coréia era uma multidão de analfabetos) devem servir de lição para nós e nossos próximos governantes. Mais algumas questões: Quais são as ações de integração de uma política industrial com as políticas de desenvolvimento regional? Como evitar o desemprego estrutural? Quais metas de educação em todas as esferas administrativas (independente das esmolas das cotas)? Queremos formar quantos especialistas em tecnologia intensiva? Qual será a posição da economia brasileira, comparada aos demais países? Quando a transferência de renda será associada às oportunidades de empreendedorismo da população e das oportunidades de trabalho?

Estas ― e tantas outras ― são as questões e conseqüentes alvos de um projeto de nação. É a velha pergunta que nos fazem quando somos crianças: “O que você vai ser quando crescer?”


*Um dos parâmetros usados para se analisar o nível de qualidade de vida de uma população, criado pelos economistas Amartya Sen e Mahbub ul Haq e utilizado pela ONU englobando riqueza, educação e expectativa de vida ao nascer.

Comentários

  1. Alexon, desejamos um país cada vez melhor e só não gostamos de ser enganados nem de ver coisas essenciais como a ética, a saúde, a educação e o saneamento básico sendo negligenciados. A qualquer brasileiro revolta ver os donos do poder jogando nosso imenso e poderoso país na lanterna do desenvolvimento social (hoje, chegamos ao vergonhoso 3.o lugar em desigualdade social - índice Gini (só perdemos da Bolívia e do Haiti). Nos 12 anos anteriores a Lula, o Brasil subiu 14 posições no 'ranking' do IDH. Em apenas 6 anos de lulismo, perdemos 12 posições, ficando atrás de Herzegovina e até da Albânia. Vergonhoso!

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