Já pra casa, menino!

Neymar, bom de bola, campeão paulista e da Copa do Brasil, garoto da Vila. Ai é que está o ponto: apenas um garoto. E bem mimado. Se não foi pelos pais na infância, tem sido pelo clube, pela mídia e pelo público.

Quando Dunga não convocou nem ele — e nem o Ganso — para o Mundial da África do Sul, a coisa poderia ter dois rumos, ou o cara amadurecia e baixava a bola ou, (como ocorreu) no caso de fracasso do Brasil, se acharia o tal. Para piorar, veio o Chelsea com a mala cheia de dinheiro querendo levar o menino. Há pouquíssimo tempo, uma reportagem mostrava Neymar na auto-escola, tomando aulas de direção e parando para dar autógrafos. Há menos tempo ainda, vi outra matéria com ele dirigindo Volvo XC60 (carrão daqueles de entortar pescoços). É tudo muito rápido, da pobreza para a sobre abundância num piscar de olhos. Como garoto, Neymar joga brincando. Gramado para ele é o play. Garotos no play brincam, mas também fazem bagunça, xingam e, por vezes, saem dos limites. Só que tudo não passa de brincadeira e, devidamente enquadrados, tudo volta ao controle.

Só que o play de Neymar não é como o dos outros garotos. Meninos normais não ganham fortunas para brincar. Sendo assim a brincadeira de Neymar não é tão brincadeira assim. A saber, chama-se trabalho. Logo, os últimos momentos do guri do Santos não condizem com o que se espera de quem trabalha.

Neymar merece o castigo. Acho até que estão pegando leve com ele. O problema do Santos é tratar seus projetos de craque como se fossem a reencarnação do Buda Pelé. Como não acredito em reencarnação e nem que haverá um novo Pelé, acho que os cartolas e pais de Neymar deveriam fazer o mesmo. Ou seja, Neymar é só Neymar, um garoto bom de bola que pode ser — ainda não é— um super craque.

E como dizem aqui no Rio, quem não sabe brincar não desce para o play.

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