Começo pela conclusão:
O grande problema de se dar poder e a sensação de grandeza a um idiota é que ele via de regra acredita.
A frase acima é fruto da reflexão sobre o idiota da vez, Rafinha Bastos. Com a propagação da tecnologia, qualquer um pode ter um microfone, ficar na frente de uma câmera e falar o quem bem entende (se é que entende). Com a falta de gênios, qualquer um vira gênio. Com o excesso de burrice, qualquer gracinha mais elaborada vira uma piada sensacional. Com a efemeridade das coisas, os produtos devem ser renovados rapidamente. Na TV não é diferente.
Rafinha faz parte de uma geração que é uma espécie de galango do deserto do humor brasileiro. Depois do dominío do humor televisivo por gente como Chico Anísio, Jô Soares, a turma dos Trapalhões e posteriormente o Casseta & Planeta, um lapso se formou. Apareceram os caras do Pânico, que depois de sucesso absurdo, entraram numa de perturbar as pessoas e não mantiveram o ritmo do programa de rádio. Veio a onda dos stand up shows. Nessa onda, um monte de gente surfa e toma caixote.
Há algumas semanas o (pseudo) humorista deu uma declaração no mínimo esdruxula. Disse que comeria Wanessa Camargo e o bebê que ela espera. Vamos com calma. Essa declaração é o que? Com relação à criança, a coisa se complica mais ainda. Se ele disse que comeria a criança é canibalismo. Ou, se disse que "comeria", é pedofilia. Humor é politicamente incorreto por natureza e tem que ser assim. Quer coisa mais politicamente incorreta, realista e engraçada do que Justo Veríssimo, o deputato federal de Chico Anísio que dizia que pobre tem que morrer? Ou Painho, o pai de santo baiano e bicha? Ou as piadas de Mussum, quando ele assumia que não vivia sem "mé" (uma clara apologia ao consumo de álcool)? Ou quando o mesmo Mussum se referia pejorativamente ao Didi como "cearense"? O politicamento correto é uma algema. Mas confundir liberdade de experessão com desrespeito gratuíto é muito pior.
Ser politicamente incorreto não incorre no ataque pessoal a quem está quieto. Costinha fazia incontáveis piadas de “bichinha”, mas nunca fez mensão a uma bicha específica, muito menos induziu algum tipo de agressão. Jô Soares criou o General Gutierrez, um ex-déspota que, para escapar à justiça argentina, fugiu para a Bahia e passou a se chamar Severino Silva. Claderon, com carregado sotaque portenho, dizia que era tão preto que seu apelido de infância era “chão de garagem”. Hoje isso seria uma afronta aos movimentos negros.
Essa nova leva de rapazes engraçadinhos que se dizem humoristas tem um problema: já que lhes falta talento para fazer humor do coditiano e das coisas pelas quais passamos e nem sempre percebemos, eles atacam pessoas. Já repararam que os grande humoristas da história faziam graça de si mesmos e nunca de outra pessoa? Vejam Stan Laurel e Oliver Hardy, o Gordo e o Magro. Nunca se utilizaram das caracterísitcas ou estado de terceiros para fazer rir. O mundo muda, mas os princípios de respeito não podem mudar. O humor faz serve para fazer pensar, questionar a sociedade que vivemos, para elevar o espírito, trazer leveza. Não para ofender a pessoa.
Continaremos fazendo, ouvindo e contando piadas de judeu, de português, de argentino, de preto, de mineiro, de gaúcho, de baiano, de japonês, de gay, de corinthiano, de tricolor, de flamenguista, etc. Mas ninguem vai se sentir melhor repetindo que “come ela e a criança” toda vez que vir uma grávida passando. Rafinha Bastos (um tolo), para piorar a sua situação fez piada com uma pessoa que, além de filha de pai famoso, é mulher de um cara influente no meio televisivo. Se enforcou com a gravatinha preta que ele usava no programa que ancorava. Perdeu a piada, perdeu a chance de ficar calado, perdeu o emprego e, como todo produto, perdeu a validade. Um idiota exemplar.
O grande problema de se dar poder e a sensação de grandeza a um idiota é que ele via de regra acredita.
A frase acima é fruto da reflexão sobre o idiota da vez, Rafinha Bastos. Com a propagação da tecnologia, qualquer um pode ter um microfone, ficar na frente de uma câmera e falar o quem bem entende (se é que entende). Com a falta de gênios, qualquer um vira gênio. Com o excesso de burrice, qualquer gracinha mais elaborada vira uma piada sensacional. Com a efemeridade das coisas, os produtos devem ser renovados rapidamente. Na TV não é diferente.
Rafinha faz parte de uma geração que é uma espécie de galango do deserto do humor brasileiro. Depois do dominío do humor televisivo por gente como Chico Anísio, Jô Soares, a turma dos Trapalhões e posteriormente o Casseta & Planeta, um lapso se formou. Apareceram os caras do Pânico, que depois de sucesso absurdo, entraram numa de perturbar as pessoas e não mantiveram o ritmo do programa de rádio. Veio a onda dos stand up shows. Nessa onda, um monte de gente surfa e toma caixote.
Há algumas semanas o (pseudo) humorista deu uma declaração no mínimo esdruxula. Disse que comeria Wanessa Camargo e o bebê que ela espera. Vamos com calma. Essa declaração é o que? Com relação à criança, a coisa se complica mais ainda. Se ele disse que comeria a criança é canibalismo. Ou, se disse que "comeria", é pedofilia. Humor é politicamente incorreto por natureza e tem que ser assim. Quer coisa mais politicamente incorreta, realista e engraçada do que Justo Veríssimo, o deputato federal de Chico Anísio que dizia que pobre tem que morrer? Ou Painho, o pai de santo baiano e bicha? Ou as piadas de Mussum, quando ele assumia que não vivia sem "mé" (uma clara apologia ao consumo de álcool)? Ou quando o mesmo Mussum se referia pejorativamente ao Didi como "cearense"? O politicamento correto é uma algema. Mas confundir liberdade de experessão com desrespeito gratuíto é muito pior.
Ser politicamente incorreto não incorre no ataque pessoal a quem está quieto. Costinha fazia incontáveis piadas de “bichinha”, mas nunca fez mensão a uma bicha específica, muito menos induziu algum tipo de agressão. Jô Soares criou o General Gutierrez, um ex-déspota que, para escapar à justiça argentina, fugiu para a Bahia e passou a se chamar Severino Silva. Claderon, com carregado sotaque portenho, dizia que era tão preto que seu apelido de infância era “chão de garagem”. Hoje isso seria uma afronta aos movimentos negros.
Essa nova leva de rapazes engraçadinhos que se dizem humoristas tem um problema: já que lhes falta talento para fazer humor do coditiano e das coisas pelas quais passamos e nem sempre percebemos, eles atacam pessoas. Já repararam que os grande humoristas da história faziam graça de si mesmos e nunca de outra pessoa? Vejam Stan Laurel e Oliver Hardy, o Gordo e o Magro. Nunca se utilizaram das caracterísitcas ou estado de terceiros para fazer rir. O mundo muda, mas os princípios de respeito não podem mudar. O humor faz serve para fazer pensar, questionar a sociedade que vivemos, para elevar o espírito, trazer leveza. Não para ofender a pessoa.
Continaremos fazendo, ouvindo e contando piadas de judeu, de português, de argentino, de preto, de mineiro, de gaúcho, de baiano, de japonês, de gay, de corinthiano, de tricolor, de flamenguista, etc. Mas ninguem vai se sentir melhor repetindo que “come ela e a criança” toda vez que vir uma grávida passando. Rafinha Bastos (um tolo), para piorar a sua situação fez piada com uma pessoa que, além de filha de pai famoso, é mulher de um cara influente no meio televisivo. Se enforcou com a gravatinha preta que ele usava no programa que ancorava. Perdeu a piada, perdeu a chance de ficar calado, perdeu o emprego e, como todo produto, perdeu a validade. Um idiota exemplar.
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