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A ela...

A ela todas as rosas Todas as luas Todas as ruas Todos os versos e prosas A ela todas as praias Todos os dias Todos os carinhos Todos os sorrisos A ela tudo Todos os sóis Todos vós Ai de nós Sem ela

Cedo tarde

Tudo é muito cedo Ou é muito tarde Já meio-dia Ainda sol que arde Ontem especial  Hoje inútil  Beijo especial Lembrança fútil Tudo era para sempre Nada é nunca mais Noites de silêncio Muitas tardes de jazz O amor que sempre quis No poema que nunca fiz Porque tudo é cedo ou tarde demais Agora pode ser nunca mais 

Simples

Simples Como as coisas boas da vida Como as palavras das crianças Como café quente, pão francês  E manteiga derretida Nas manhãs simples De andar de bicicleta  E sentir o vento no rosto Simples como abraço de amigo Risada de piada boa Conversa sem medo do tempo Quanto tempo...  As simples coisas nos têm escapado  Tudo complicado, compromissos não explicados e corações apertados Complicaram o amor... Era simples, tão simples Como éramos eu e você

O amor que te faço

Faço-te amor calado Escondido, guardado Nem sabes que faço Porque no meu silêncio  Dissimulo o desejo Faço-te amor na alma Com a calma de quem espera A hora, a chance, a vez De invadir tuas vestes De beijar a tua tez  E possuir-te o corpo  Faço-te o amor que não classificas Por isso ficas assustada Mas somente te faço amor Mais nada

Brisa impossível

Brisa impossível Que beijou o rosto Suave, que acolheu E envolveu de forma completa Brisa impossível  Pega desprevenido quem pelo calor é aturdido Brisa passageira Passeia mas não pertence  Brisa que passou Que era aprazível  Mas não ficou Porque era brisa Porque era impossível

Quinze Horas

Eram quinze horas E àquelas horas Só pensava em voltar O mais rápido possível Vontade irresistível De com ela estar A mulher que deixara  Era quase tara, coisa rara A esposa de sempre Sem disfarces ou truques Perfumes ou badulaques  A mesma com que dormia e acordava Todos os dias.  Mas ele a queria Com fome leonina  Sua fêmea completa  Sua senhora-menina Pensava em sua pele bronzeada Contrastada com a fina penugem dourada Em suas ancas torneadas Beijos umedecidos Seu hálito aquecido. Ele sentia o peito comprimido. Precisava, já não se controlava O raciocínio lhe escapava  Depois de desejosos surtos Olhou o relógio Quinze horas... E cinco minutos.  (Alexon Fernandes)

Não sejas pai.

Não sejas pai, se não suportas o imprevisto.  Não sejas pai, se não consegues ser pontual.  Não sejas pai, se te prende demais ao relógio.  Não sejas pai, se não entendes o sentido da doação.  Não sejas pai, se não sabes dar bom exemplo.  Não sejas pai, se achas que crianças são apenas miniaturas.  Não sejas pai, se não suportas bagunça. Não sejas pai, se planejas em demasia.  Não sejas pai, se não sabes dizer "não".  Não sejas pai, se não entendes o valor do "sim". Não sejas pai, se não cumpres pequenas promessas cotidianas.  Não sejas pai, se tens medo de desafios. Não sejas pai, se tens algum vício.  Não sejas pai, se não tens paciência para explicar as coisas em detalhes.  Não sejas pai, se te preocupas demais com detalhes ou se os ignora.  Não sejas pais, se não pensas no futuro.  Não sejas pai, se não acreditas em amor incondicional.