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Fantasma Paradoxal.

Eu vi um fantasma.  Um fantasma do futuro. Um fantasma paradoxal. Tinha o mesmo perfume, os mesmos traços e os mesmos trejeitos do passado.  Sentou ao meu lado e sorriu o sorriso que outrora eu tanto provoquei. Conversamos animadamente, sobre vários assuntos. Sobre longevidade, eternidade e outros planos de vida. A assombração vindoura me deu pistas de como será o porvir, com suas marcas do tempo e sua leve gris.  Perguntou-me como vai a vida. Respondi que vai bem. E que, desde que o passado se foi, algumas coisas haviam mudado, mas que eu continuava o mesmo sujeito.  Rápido o momento passou e o futuro espectro se foi. Meu sentimento era de espanto e admiração. O fantasma do futuro era a mãe do passado. Não era fantasma, então. Era projeção.  Futuro, mande lembranças do presente ao passado. 

Culpa...

Não tive culpa Fiz o que pude Cartas na mesa Gentileza, inteireza  De alma, de corpo Agi como louco... Um pouco  "Louco...", Você dizia  Nem eu sabia... Agora é história sem vanglória,  Coisa da memória... Adeus, senhora.  Você não teve culpa.  Nunca tivemos. Apenas vivemos. Deus nos perdoe, nos absolva. Se quiser, que nos abençoe. Amantes não são culpados.  São vítimas de seus doces delitos.  Tenho dito. 

Recomendações de um Fim.

Volta para casa. Fecha as portas e janelas. Fica bem protegidas e tranqüila. Eu fico com o resto, sobraram-me as coisas que estão lá fora. O que não é pouco.  Queima as cartas que te escrevi e nossas fotos. Apaga meus vestígios na tua vida. Isso evitará que caias na tentação de querer saber meu paradeiro.  Não ouças as músicas que te fazem lembrar de mim. Se fores traída pelo rádio do carro, muda correndo a estação.  Tenta esquecer minha voz, o som da minha risada, os meus trejeitos e manias. Esquece minhas piadas e minhas frases de efeito. Qual é o perfume que eu uso ou minha cor predileta.  Protege teu coração e tua mente. Esconde-te entre a tua parentela e amigos. Afunda-te em trabalho, segue teus planos e ignora dos meus.  Permite que eu parta. Solta a corda que me prende ao cais. Se nao posso ficar, deixa-me ir.  Atende meu conselho. É melhor para mim. 

Eu não penso mais em ti

Eu não penso mais em ti Nem na paixão que vivemos Nos riscos que corremos Ou nas noites que não dormi Eu não penso mais em ti Nas vezes que esperei Tantas vezes esperei... No paraíso que te preparei Eu não penso mais em ti Não te procuro em rostos que nunca vi Não te tenho nos sonhos que não vivi Já enxuguei as lágrimas que chorei Já voltei a sorrir  Eu não penso mais em ti Estou mais bem disposto As coisas faço com gosto Já passou o pior Agora vivo melhor Aprendi a verdade e o fingir  Assim te dou a chance de nunca concluir Se não penso mais em ti.

Versos

Versos tortos Contam de corpos De prazer cansados Quase mortos Na madrugada abraçados Versos poucos  Sem pudor narram Sobre dois que se agarram Consomem-se como loucos Muito tempo esperaram Versos inúteis Que falam de prazer De luxurias nada fúteis  Daquelas que , por mais que lutes, Vou contigo acabar por fazer

Show do Benjor

E ela não foi a um show do Benjor comigo. Ela deveria ter ser permitido. Porque no show do Benjor, ela poderia ser tudo. Mulher, criança, menina, adolescente. Poderia ser a minha primeira namorada e a mulher da minha vida.  No show do Benjor ela dançaria de suar, sem ser censurada e cantaria desafinada que só, sem ser criticada. No show do Benjor, ela seria ela mesma. Plena e sem amarras.  Eu seria seu par. Seu escudeiro e seu protetor. Brincaríamos muito, trocaríamos carinhos e beijos divertidos e apaixonados. Seríamos simplesmente o casal mais alegre na praça da alegria.  Ela não foi ao show do Benjor comigo. "Que pena..." Que Benjor viva muito. Que ainda eu tenha a chance de levá-la ao show do Benjor.  Salve simpatia.

Poema novo

Queria escrever um poema novo. Não consigo. É que não quero pensar em você de novo, Talvez pela dor que morou comigo. Acho que você me provocava Minha respiração acelerava E a devolvia em palavra No papel, descrevi o mel e o fel. Contei como se espatifa do céu. Queria escrever um poema novo. Já não sei. Acho que tanto amei, Que sequei A lágrima e a tinta da pena. Dá pena, Mas não sei onde enfiei O jeito de dizer, De com vocábulos lhe descrever. Queria escrever um poema novo. Só um, sempre fica um. Um que vai e um que esvai. Um vazio e um ai. Queria um novo poema escrever. Que contasse o que é a vida sem você.

Tolice

Tola Tolo Tolhida Paixão Recolhida Encolhida Tola Tolos Tolhidos

Partes

A voz, O telefone, O riso. Nós. Pedaço De Paraíso. Regaço Que preciso. Conversa. Que pressa? Sem essa... Com a gente Que sente Como é bom Mesmo que breve, É leve. Mesmo você não agora, É pra vida afora.

Se me quer.

Se me quer, Não venha dividida. Queira-me inteira, Terá a mim por inteiro Não sou parte, nem pedaço Quero espaço Não me queira por respeito. Mas respeite, não sou deleite. Se me quer, Não passe.  Venha e fique. Não que eu suplique, Mas não há nada que explique, Negar o bem-querer E fazer de tudo para esconder. Sendo assim, Já que não vai se comprometer, Por  cheia  de compromissos A sua vida já ser. O que quer de mim, Se me quer E não se deixa ter?

Conto da Decisão.

Ela sempre lembrava, quando as promessas que ele fez não eram cumpridas por com quem ela decidira ficar. Pensava se era tudo aquilo possível. O sonho de amor, o príncipe cheio de defeitos, mas que a encantara. Que a olhava sem julgamentos ou regras.  Sentia-se só, por vezes, mesmo cercada de pessoas e atenções. Tudo e nada no mesmo espaço. O novo com jeito de passado. Mais do mesmo. Mais um dia, mais uma noite solitária na cama habitada por dois. Onde estaria ele? O que estaria fazendo? Com que estaria? Ainda pensaria nela? Ela pensava, fechava os olhos e tentava trazê-lo para perto. A voz, o olhar, as flores mandadas sem razão, os pequenos presentes, tão precisos. O anel, o livro e as cartas guardadas à sete chaves. Teve vontade relê-las todas. Da mensagem mais despretensiosa até as declarações de amor e desejo. Ao mesmo tempo em que duvidava da possibilidade que ser sempre assim com ele ao seu lado, ela no fundo tinha a certeza que seria.  Era como se o sabor do beij...

Olhos

Existem certos olhos, em que a gente se encontra ou se perde de vez.

Plebeu

Esse seu jeito  Imperfeito  Pra mim perfeito De manias que quero todas De mesmo restaurante Do cotidiano batom rosa Da demorada prosa  De auto-penitências De exclamações e reticências  Me vem Me invade a vida Bagunça os planos Eu me fazendo de esperto Tudo certo, no meu inútil engano Você, castanha, roubou meu sono Virei um insano insone Chamando seu nome  De madrugada Do nada Nada Você? Nada Muda, não muda Aprenda, ninguém muda Se faz de surda Cama gigante  Peito enorme pra você  Deitar a cabeça  Adormecer  Vou embora Pro Japão  Butão Cazaquistão  O coração, coitado Na sua mão  Ou numa gaveta guardado  Perdeu, plebeu Perdeu O plebeu sou eu. 

Ver-te dançar

Queria te ver dançar. Mas dançar antes da dança... Como te preparas Do modo que tu pões teu vestido que contornam e reverenciam tuas formas. Teus cabelos sendo cuidados frente ao espelho. O mundo pára e vira simples moldura. Teu batom rosado, cobrindo a carne suave de tua boca. O modo como calças tuas sandálias baixas que adornam teus belos pés e artelhos.  A música toca, teus olhos se fecham como se tu entronizasses os acordes e ritmos. E tu mesma transforma-te em música. Teu suor tem sabor de Salsa... Quente e viciante Teus sorriso tem luz, de teus olhos sai o mel da vida. Como será te ver dançar?  Tocar teu corpo molhado, possuído por compassos e alegria. Deusa encarnada em ritmos, movimentos e calor. És mulher em perfumes e sons. Abraça-me. Dança. Faça-me morrer e reviver.

Especial.

Achar uma pessoa especial é uma das coisas mais gratificantes nesta vida. É como um presente. Um alívio que recebemos durante a caminhada. Uma pessoa especial pode não ser nossos pais e irmãos, ou nem mesmo quem escolhemos para namorar ou casar (por mais que insistamos em não escolher pessoas especiais para serem nossas parceiras e depois amarguemos num cotidiano claudicante).   Esta pessoa especial pode se revelar nas mais variadas formas. Geralmente, ela tem bom humor e pensamento rápido. O que não significa que ela seja apressada no falar e no agir. É sábia. Já repararam que uma pessoas especial olha nos olhos, presta a atenção no que dizemos e, vez por outra, recorda de coisas que falamos há tempos e nem lembrávamos mais? E não lembra para nos acusar ou julgar, mas sim para esclarecer, exortar e até para nos fazer rir.  Uma pessoa especial nos percebe pelo olhar, tom de voz e até pelo silêncio. Ela tem amigos de todas as tribos, de idades va riadas e das mais dif...

"Eles" (poderia ser "Nós")

Eles se curtiam E nem sabiam Eles se conheciam E nem percebiam Eles por mesmos lugares transitaram E nunca se cruzaram  Na mesma escola estudaram  Mas no tempo descompassaram  Eles um dia se encontram  Sem querer se enxergaram Eles se descobriram  E mutuamente se atirariam  Era lindo o que sentiram Um para o outro especiais se diziam Eles num mundo particular viviam  E parecia que as barreiras não os impediriam  De repente, as paredes ruíram Eles quase não se viam Sentimentos represados não fluíam Os carinhos impedidos seriam Então, como inoportunos se viam  Mesmo com toda paixão que sentiam Ela foi, ele ficou e não mais se abraçaram  Ele foi, ela ficou e já não se beijaram Cada um do seu modo, uma enorme saudade alimentaram E, vez ou outra, percebiam que para o mesmo lugar retornaram

Rasgo

Tuas roupas e planos Teus documentos e mapas Desnudo a verdade que tapas Estrago tua maquiagem Acabo com essa imagem De falsa santa, lânguida e oca Deixo-te louca Rouca e pedindo Nada mais ouvindo Estraçalho tuas resistências Absolvo tuas penitências Haja paciência! Condeno-te à mil anos de liberdade De prazeres à vontade  Aplaco essa agonia  De achar que um dia  Tua vida seria Como aquela vitrine De modelo que reprime Rasga minha espalda  Como pavor e paixão  Rebelada, fim da escravidão  Rasgo tua história  Antes e depois Resto e nós dois

O que existe

Existe o planejado Existe o útil Existe o esperado Existe o formatado Existe a surpresa Existe o agradável Existe o inoportuno Existe o desconcertante Existo eu Existe você

Ninguém pode saber

É secreto Ninguém pode saber... Você tenta esconder Uma saudade guardada Teimosamente manifestada Nas horas mais erradas Nas gavetas cerradas Nas palavras guardadas Músicas lembradas  Separadas Tocadas de repente  Você sente alguém longe, ainda tão presente Disfarce Ninguém pode saber... Logo você O que vão dizer? Seu plano certinho Tudo direitinho Arrumadinho No nada, aparece o sentimento  Justamente no momento em que você mais tem precisão Em que pesa demais sua decisão De novo, não! Suspire Ninguém pode saber... Fundo respire Parece ouvir a voz que nada disse E como se visse quem aí não está Dá vontade de abraçar demorado Até o mundo acabar Se ele fosse seu namorado Que sabe daquele seu lado Que ninguém pode saber Afinal, pelo menos de você Não vão ter do que dizer  Do que você tem vontade Ninguém pode saber... 

Dias seus

Foram dias que eu respirava você Era você em todo pensamento meu Eu... Quem era eu? Nada além de seu Apenas pronome possessivo E assim me sentia vivo Nada antes era igual, nada antes era você Foram dias em que fui maior do que jamais fora Mais feliz e mais disposto Era do antes o oposto Bastava ver seu olhos O sorriso que estampa seu rosto Você, personificação do tudo, ali  Agora, eu aqui  E você... É lembrança espalhada, foto roubada Em segredo guardada  Foram dias... Que dias! Foram-se