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Mostrando postagens com o rótulo Economia

Brasil: Financiamentos versus Credibilidade

Num cenário como o atual, qual o nível de confiança que as instituições multilaterais de fomento têm nas gestões públicas? Qual a exposição ao risco que estas instituições estão dispostas a se submeterem? O momento é de mostrar que as gestões têm planos sólidos para o futuro, que seus projetos são bem fundamentados, bem orçados e – talvez o mais importante – que não estarão ao sabor das correntes políticas de resultados eleitorais futuros. Provavelmente, a concessão de novos financiamentos vai depender do nível de maturidade, responsabilidade e visão de futuro dos titulares dos respetivos cargos dos executivos subnacionais. Na crise, o dinheiro não fica disponível e quem o tem é muito mais criterioso para disponibiliza-lo. Capta mais, quem mostra e executa mais e melhor. - Alexon Fernandes

Falta Ousadia.

Previsão de crescimento do PIB para 2012: 1,2%, sujeito à revisões para menos. O que era considerado uma piada pelo ministro da fazenda, Guido Mantega, mostra-se uma realidade nada engraçada. O país parou. Essa é a verdade. O que no fundo se revela é a incapacidade do Brasil de dar braçadas além da onda. Estivemos sempre "surfando" nos últimos anos. Surfamos no crescimento mundial, e na "marolinha" da crise mundial (como se faz piada com coisa séria!). A onda da bonança acabou e a marolinha se mostrou enorme.  Ter fundamentos econômicos sólidos não se mostrou o suficiente para nos colocar num ciclo virtuoso e sedimentado de crescimento. Combate à inflação e à pobreza são importantes, mas não é tudo. O governo, com seu tamanho paquidérmico, se afunda nas rubricas de custeio e não tem como investir. Nossos níveis de industrialização ainda são baixos, comparados à nossa população e a países de economias de portes similares. E, fato gravíssimo, temos níveis de educ...

Novos Pobres.

Quase 200 pessoas foram presas, após enfrentamento entre manifestantes do Ocupem Wall Street e a polícia de Nova York. Já fazia quase um mês que a turma estava acampada na região. Motivo? Um protesto contra o sistema financeiro. Talvez uma das maiores ironias dos últimos tempos, os americanos estão reclamando do sistema que fizeram dos Estados Unidos o que são hoje ― ainda serão por um bom tempo a maior potência do planeta. Esse paradoxo dos tempos atuais tem seu lado irônico, mas também seu lado trágico. O irônico é muito naquela linha “basta estar na chuva para querer um guarda-chuva”, quando os americanos, ao perceberem que seus empregos e renda estão se esvaindo, vão as ruas reclamar como os outros povos de qualquer lugar do mundo. Inclusive os povos do chamado mundo subdesenvolvido. E a policia nova-iorquina, por sua vez, age como a truculência de qualquer polícia. Inclusive as do mundo subdesenvolvido. Mas o lado trágico é o que mostra um povo que mesmo preparado para viver anos ...

Robin Hood da Silva

Lula parece não ter mais limites, se é que já os teve. A última é comprar barulho com um de seus maiores aliados, Sérgio Cabral. Um ano antes da eleição, o “prisidenti” balança as estruturas de seu palanque nas terras fluminenses, ao propor que distribuição dos royalties pagos a estados e municípios seja revista para a exploração do pré-sal. Sérgio Cabral é notadamente um articulador que, ao se aproximar de Lula, aglutinou uma série de vantagens que governos anteriores não conseguiram. É histórico o quebra-pau entre Rio de Janeiro e Brasília. Desde que Brizola foi eleito em 1982, as torneiras federais se fecharam. Cabral virou cabo eleitoral de Lula, que o enche de afagos e ajudou colocar Eduardo Paes na prefeitura carioca. Tudo levava a crer que o caminho de Dilma nos recantos do Rio estava sendo construído. Mas o caldo pode desandar. A mim parece que Lula precisa tirar dinheiro de algum lugar para dar aos estados do nordeste. Lá estão os currais eleitorais da gente que dá sustentação...

Feito Para Afundar

Realmente é o ano da França no Brasil. Nada contra os franceses, mas contras alguns brasileiros sim. Foi noticiado hoje que o Ministério da Defesa vai comprar quatro submarinos convencionais Skorpène , fabricados pela francesa DCNS. O valor da transação é de 6,8 bilhões de euros (R$ 19 bilhões). A decisão surpreendeu até o comando da marinha, principalmente porque havia outra opção técnica e financeiramente mais viável. A proposta francesa impõe a construção de um estaleiro no Rio de Janeiro. Em 2007 entrou em pauta uma parceria similar com a Alemanha. A proposta germânica incluía a venda de cinco submarinos e a modernização de outros cinco da frota brasileira. Isso tudo em parceria com o Arsenal da Marinha e sem precisar levantar uma parede sequer. Custo da operação? Algo em torno de 2,1 bilhões de euro. Estranho o rumo que certas coisas tomam nesse país. Decisões que atropelam qualquer embasamento técnico. Tudo é motivo para conseguir apoios internacionais. Aceita-se qualquer propost...

Aha! Uhu! A Petrobras é deles

A sede de poder do PT e seus orbitantes é tão grande que, ao encamparem na Petrobras e fazerem dela o maior aparelho de sua política canhota, sem perceber estão na trilha do caminho para transformar a petroleira num monstrengo estatal. A agência de risco Standard & Poor’s rebaixou a Petrobrás em seu grau investimento. Tudo isso, justamente, por causa do aumento de endividamento e da alta politização da companhia. Um movimento em especial chama a atenção: a calibragem dos preços dos combustíveis no sentido contrário ao da lógica de mercado. Como já falado num post anterior , ficam claras a intenções políticas na gestão de preços da Petrobras. Outro fator é a sanha cretina de Lula em criar uma estatal separada para explorar o pré-sal. Isso é suco no estômago da Petrobras, seguida de uma batida de carteira. E por último, a diversificação de negócios da estatal, que agora entrou no ramo da censura à imprensa, através de um blog. Independente de qualquer discussão sobre a privatização o...

O BNDES não!

Depois o aparelhamento das maiores instituições públicas, uma nuvem preta (ou seria uma estrela vermelha?) paira sobre o BNDES. Não bastassem os calotes do equatoriano Rafael Correa, há rumores de Chavez quer uma graninha do Brasil, via BNDES. Chavez pediu emprestado ao Brasil (apertem os cintos) US$ 4 bilhões. Pára a fita! Eu sei que o Lula se orgulha de ser o analfabeto mais funcional deste país, mas será que alguém poderia avisar ao comander in chief que a sigla citada significa Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social? A decisão de emprestar dinheiro para outros países é transgredir o objetivo maior do banco. Muitos não sabem, mas o BNDES é terceiro maior banco do país em operações diretas de empréstimo para a atividade produtiva, perdendo somente para o Banco do Brasil e o Bradesco. Os seus ativos e sua rentabilidade são maiores do que os do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Ao abrir o cofre do BNDES para outras nações, deixa-se de investir em projetos nac...

Seu garçom, a conta.

A Petrobras divulgou seu resultado no primeiro trimestre de 2009. Queda de 20% em relação ao mesmo período no ano passado. Segundo Adriano Pires , se não houvesse monopólio poderia ser pior. Quem acompanha os números da economia e a cotação do barril do petróleo sabe que a estatal vem usando o preço dos combustíveis como instrumento político. Ano passado, se fossem respeitadas as regras de mercado, o preço-bomba seria muito maior do que se apresentou nos postos de combustíveis brasileiros. O preço do barril chegou a mais de US$ 120 em 2008. Hoje a cotação anda meu de lado, patinando na casa dos US$ 40/barril (considerando somente valores absolutos da moeda americana, sem as diferenças em real). Alguém notou alguma baixa significativa nos preços dos combustíveis? Provavelmente não. Ou seja, a Petrobras está cobrando a conta. Dado importante: 2008 foi ano eleitoral. Não existe jantar grátis. E, pelo visto, vem aí uma CPI da Petrobras. Promessa de fortes emoções para o pessoal da estrelin...

Volta da alta de juros. Será?

Vocês já ouviram falar na Lei de Diretrizes Orçamentárias? Ela determina que o Executivo deve seguir o orçamento conforme o aprovado pelo Legislativo, de acordo com o parágrafo 2º do art. 165 da Constituição Federal. O problema é que as premissas para os orçamentos de 2009 e 2010 estão completamente fora da realidade da crise mundial, considerando uma arrecadação e uma taxa Selic acima do que o cenário atual mostra. No blog da Miriam Leitão, tem um post enviado por Leonardo Zanelli que faz uma análise bastante interessante sobre o assunto, baseado no relatório da Anefac. O governo não dá a menor pinta de que vai diminuir os gastos públicos. O congresso, ensimesmado em sua profusão de escândalos, não discute uma solução cabível para o momento tão crítico. Aliás, em assuntos de grande importância nacional, esse congresso é imprestável. A arrecadação já sofreu duros golpes, o que restaria seria aumentar a carga tributária e os juros, na tentativa de aumentar a atratividade dos títulos p...

Cortando na carne

Hoje a agência de notícias Efe publicou que o presidente dos EUA, Barack Obama, anunciou que está sendo preparado um programa de cortes de gastos da máquina pública, visando a recuperação econômica do país. Segundo Obama, “não haverá vacas sagradas nem projetos imprescindíveis”, numa referência clara aos projetos de legisladores em defesa de seus próprios interesses. Uma das justificativas dadas é a de que o governo tem que fazer o mesmo que as famílias estadunidenses estão fazendo, tomando decisões difíceis para se reerguerem. O forte indício de que o governo americano vai cortar na própria carne provoca (pelo menos em mim) uma reflexão imediata sobre o comportamento de Brasília diante da crise mundial. O que nos é apresentado pelo planalto central é uma farra de gastos, como “nunca antes na história desse país”. O paquiderme público brasileiro está cada vez mais inchado, gastão e compulsivo. Existem duas artérias abertas: os gastos com custeio e os problemas de arrecadação. Pelo vist...