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A ditadura da opinião.

Eu tenho certeza que se hoje eu fosse um cara famoso e declarasse que mesmo não tendo nada contra os homossexuais não achacasse o seu comportamento normal, eu seria execrado pela mídia e por grande parte da classe artística no Brasil.   Somos tão tacanhos, que se quer aprovar o casamento gay numa sociedade que ainda nem respeita o direito à opinião contrária. Isso mesmo, não respeitamos, apenas fi ngimos respeitar. Até porque não se sabe o que é direito à opinião.  Se alguém disser que não gosta de gordos, não quer dizer que ela tem o direito de maltratar ou discriminar os gordos. Mas ela tem direito de dizer que não gosta deles. Numa democracia não existe crime de opinião.  Mas ser gay, para a mídia e a classe artística "especializada", é maneiro. Então se alguém diz "eu não acho maneiro" é detonado com alto poder bélico. Se eu fosse famoso, não seria um Feliciano, que fala absurdos indefensáveis. Bastaria eu dizer que sou contra a qualquer um dos pleit...

Para os dias de indefinição

Há dias de indefinição  Não se sabe a direção Escuridão  Exaspera o coração  Tu buscas a explicação De tão estranha situação  Indagação  Por que tanta contradição? Não tem ciência ou informação Conhecimento ou instrução  Tudo vão  Não desamarram a complicação  É entregar em oração  À Deus tua aflição  Solução  Que sempre vem de sua mão

Rasgo

Tuas roupas e planos Teus documentos e mapas Desnudo a verdade que tapas Estrago tua maquiagem Acabo com essa imagem De falsa santa, lânguida e oca Deixo-te louca Rouca e pedindo Nada mais ouvindo Estraçalho tuas resistências Absolvo tuas penitências Haja paciência! Condeno-te à mil anos de liberdade De prazeres à vontade  Aplaco essa agonia  De achar que um dia  Tua vida seria Como aquela vitrine De modelo que reprime Rasga minha espalda  Como pavor e paixão  Rebelada, fim da escravidão  Rasgo tua história  Antes e depois Resto e nós dois

Hipóteses do Acaso

Pode ser que, igual a ela, tu não encontres mais ninguém Que teus dias sejam vazios e vãos  Na esperança de encontrá-la novamente em tua  história  Pode ser que ela volte a te procurar e te querer bem Que de novo te toquem suas mãos  E façam virar verdade o que já era memória.  Pode ser que no seguir da vida, ela nunca nunca mais apareça  Que de saudades tu enlouqueças  Ou de lembranças tua vida se abasteça  Pode ser que a história mude de repente Que ela se declare claramente Que de teu amor ela é carente  Pode ser que nada disso tenha acontecido  Que teu coração não tenha sorrido, por ela ter conhecido Nem que tu tenhas quase morrido na hora que deste conta de que ela havia partido Pode ser o acaso um brincalhão Que embroma tua emoção  E faz graça da tua paixão

O que existe

Existe o planejado Existe o útil Existe o esperado Existe o formatado Existe a surpresa Existe o agradável Existe o inoportuno Existe o desconcertante Existo eu Existe você

Ninguém pode saber

É secreto Ninguém pode saber... Você tenta esconder Uma saudade guardada Teimosamente manifestada Nas horas mais erradas Nas gavetas cerradas Nas palavras guardadas Músicas lembradas  Separadas Tocadas de repente  Você sente alguém longe, ainda tão presente Disfarce Ninguém pode saber... Logo você O que vão dizer? Seu plano certinho Tudo direitinho Arrumadinho No nada, aparece o sentimento  Justamente no momento em que você mais tem precisão Em que pesa demais sua decisão De novo, não! Suspire Ninguém pode saber... Fundo respire Parece ouvir a voz que nada disse E como se visse quem aí não está Dá vontade de abraçar demorado Até o mundo acabar Se ele fosse seu namorado Que sabe daquele seu lado Que ninguém pode saber Afinal, pelo menos de você Não vão ter do que dizer  Do que você tem vontade Ninguém pode saber... 

Outono

Chegaste Com tuas brisas prazenteiras Tuas manhãs levemente cinzas Tens jeito de recomeço De onde te conheço? Aqui estás com tuas folhas castanhas Como castanhos são os olhos da amada Pouso em tuas tardes azuis de não querer nada Volto para meus livros e discos antigos Fechas o verão e preparas o inverno Cheguei aqui uma semana depois de uma de tuas partidas Passei por ti dentro de ventre materno  Talvez por isso o jeito de casa, de velho conhecido É isso, eu e você somos amigos Então, meu caro outono, seja bem-vindo