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Acredita

Minha pequena tem medo de escuro. Busca logo um interruptor e se apavora quando falta luz. No corredor do andar tem um sensor de presença. Abrimos a porta e tudo escuro, o sensor demorou a acionar as luzes do corredor. Ela, que adora sair em disparada, travou e disse: “Papai, está escuro. Estou com medo.” O que dizer para ela? Vai, filha! Acredita! Ela acredita, ela corre, luzes acendem como mágica. Pulos e risadas de alegria e surpresa. Essa é a vida. E essa tem que ser a nossa relação com o Pai. Está escuro? Acredita. Está difícil? Acredita. Está se cansando? Acredita. Se ninguém acredita? Acredita. Se está deixando de acreditar? Volte atrás e... Acredita.

Quero ver

Ser engraçadinho é fácil. Quero ver ser inteligente. Fazer elogio é fácil. Quero ver falar a verdade. Prometeu? Quero ver cumprir. Iludiu? Quero ver realizar. Plantou? Quero ver preservar. Tem gente que diz. Quero ver estar. Tem gente que aparece. Quero ver ficar. Tem gente que passa. Quero ver permanecer. Tem gente que fala. Quero ver fazer. Quero ver.

Obrigado, Fenômeno

Um menino como todos os outros. Errado. Destinado a ser o melhor do mundo, o artilheiro de todas as Copas. Ronaldo Nazário encerra sua brilhante carreira. Dispo-me de minha mágoa rubro-negra para reconhecer o craque que Ronaldo foi. Dos Ronaldos, para o Flamengo o Angelim é mais importante (quem sabe o Gaúcho também o seja). Mas como brasileiro, tenho gratidão ao que o centro-avante rompedor de Bento Ribeiro nos proporcionou. O jogo mais marcante para mim do Ronaldo na seleção foi o jogo contra a Holanda, na Copa da França, em 1998. Ele estava fininho, voando, jogou muito. Assisti a esse jogo sozinho, sei lá porque, não havia ninguém em casa. Foi o melhor jogo da Copa, mesmo decidido nos pênaltis. O mais importante, claro, a final contra a Alemanha, na Copa de 2002. Fechando de vez o caixão dos céticos à volta de Ronaldo, depois da contusão gravíssima no joelho. Ronaldo tem sido motivo de chacota, há algum tempo. Foi personagem de escândalo com travestis, é detentor de um excesso abus...

Fora da Regra

A vida é bela. Mas não é filme. A vida pode ter final feliz, mas o seu curso não é uma comédia. Não somos vítimas o tempo todo, somos algozes também. Justiça não é um conceito absoluto e não é cega. Os amigos também nos decepcionam. Nossos pais não são perfeitos e nós idem. A grandiosidade de uma pessoa nem sempre será visível aos olhos de todos. Ninguém está livre da dor. Um sorriso é um excelente disfarce para a tristeza há no fundo do peito. Entender (ou pelo menos tentar) estas e outras coisas nos ajuda a passar melhor o nosso tempo terreno. Somos moldados, ensinados, doutrinados a viver e buscar um modo de vida perfeito. Tudo certinho, nos conformes, sem sustos, atropelos, decepções ou derrotas. Como se a felicidade só fosse revelada de uma forma. Como se todos nós temos que ser Luciano Hulk e Angélica na capa de Caras ou na reportagem principal da Veja . Você pode até ser feio (ele), mas tem que ser bem sucedido. Você pode até ser de origem pobre (ela), mas tem que ser linda, ta...

De 2010 para 2011 (como diz a música, nada será como antes amanhã)

No ano que se acaba Eu vi muita coisa. Decidi muita coisa. Mudei muita coisa. Senti dores, chorei, fiquei alegre, gargalhei. Aprendi a velha lição que não se pode agradar a todos o tempo inteiro. E que, por uma questão se sobrevivência (física, mental e espiritual), a gente tem que tomar decisões difíceis e definitivas. Continuei aprendendo sobre a incondicionalidade do amor de um pai para com seu filho (a). Percebi que, maior do que qualquer fortuna, ter amigos é um tesouro inigualável. Ganhei mas cabelos brancos, que disfarço religiosamente com uma máquina zero. Contudo, não nego que eles são fruto das minhas histórias, tragédias e comédias. Eu corri... Corri muito. Corri na rua, na esteira, no trabalho, na vida. Voltei a estudar ― aviso: estudar rejuvenesce e faz crescer. E o mais importante de tudo, eu tive a certeza que seu eu não buscar a minha felicidade, ela não vai cair no meu colo. Daqui a pouco começa um novo ano. Eu verei coisa. Decidirei muita coisa. Mudarei muita coisa....

“Quem tem fome tem pressa.” Quem tem medo também.

Ontem, a famosa frase de Betinho veio à tona numa discussão na pós-graduação. Já sob os efeitos dos ataques dos traficantes à cidade, as pessoas começaram a refletir sobre a situação que aflige os fluminenses há quase trinta anos. Vieram as perguntas sobre como os bandidos tiveram tanta facilidade e o que deve ser feito para solucionar o problema. A verdade é simples: tudo começou com o governo Brizola. Por motivos populistas e familiares, ele simplesmente ignorou o fato dos bandidos se esconderem nas favelas, fazendo os moradores (já tão sofridos) de escudos humanos e dando a contrapartida de ações que um estado ausente não lhes oferecia. Com o passar do tempo, as coisas se agravaram, já que, além da omissão estatal, vieram os defensores dos (direitos humanos) bandidos e a capilaridade dos canais de distribuição das drogas. Artistas, descolados, playboys, hippies chiques e toda a sorte de gente tiveram acesso aos traficantes e às drogas com muita facilidade. Nos anos 90, um movimento ...

O que o Brasil vai ser quando crescer? E outras perguntas.

Década de 1970. Brasil e Coréia do Sul são detentores do mesmo IDH* (Índice de Desenvolvimento Humano). Trinta anos depois, a Coréia do Sul tem um dos melhores índices de qualidade de vida, é uma economia de grande porte e seu povo tem um alto grau de educação e renda. O Brasil consome vorazmente produtos eletrônicos e carros (eles já são 25% da frota licenciada em 2010), ainda padece com uma desigualdade social enorme, muito concentração de renda, violência e pobreza. O que aconteceu neste período para que os dois países se tornassem tão diferentes? Alguém pode dizer: a Coréia do Sul é minúscula perto do Brasil e tem muito menos gente lá para se melhorar a vida. Eu responderia: mas o Brasil tem uma infinidade de possibilidades, espaço e posição logística estratégica e não temos um vizinho nos apontando armas. Temos muito mais vantagem que a Coréia. Falta-nos na verdade um projeto de país. Um projeto consistente, respeitado por todas as correntes políticas e governos. Um alvo, uma met...