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“Quem tem fome tem pressa.” Quem tem medo também.

Ontem, a famosa frase de Betinho veio à tona numa discussão na pós-graduação. Já sob os efeitos dos ataques dos traficantes à cidade, as pessoas começaram a refletir sobre a situação que aflige os fluminenses há quase trinta anos. Vieram as perguntas sobre como os bandidos tiveram tanta facilidade e o que deve ser feito para solucionar o problema. A verdade é simples: tudo começou com o governo Brizola. Por motivos populistas e familiares, ele simplesmente ignorou o fato dos bandidos se esconderem nas favelas, fazendo os moradores (já tão sofridos) de escudos humanos e dando a contrapartida de ações que um estado ausente não lhes oferecia. Com o passar do tempo, as coisas se agravaram, já que, além da omissão estatal, vieram os defensores dos (direitos humanos) bandidos e a capilaridade dos canais de distribuição das drogas. Artistas, descolados, playboys, hippies chiques e toda a sorte de gente tiveram acesso aos traficantes e às drogas com muita facilidade. Nos anos 90, um movimento ...

O que o Brasil vai ser quando crescer? E outras perguntas.

Década de 1970. Brasil e Coréia do Sul são detentores do mesmo IDH* (Índice de Desenvolvimento Humano). Trinta anos depois, a Coréia do Sul tem um dos melhores índices de qualidade de vida, é uma economia de grande porte e seu povo tem um alto grau de educação e renda. O Brasil consome vorazmente produtos eletrônicos e carros (eles já são 25% da frota licenciada em 2010), ainda padece com uma desigualdade social enorme, muito concentração de renda, violência e pobreza. O que aconteceu neste período para que os dois países se tornassem tão diferentes? Alguém pode dizer: a Coréia do Sul é minúscula perto do Brasil e tem muito menos gente lá para se melhorar a vida. Eu responderia: mas o Brasil tem uma infinidade de possibilidades, espaço e posição logística estratégica e não temos um vizinho nos apontando armas. Temos muito mais vantagem que a Coréia. Falta-nos na verdade um projeto de país. Um projeto consistente, respeitado por todas as correntes políticas e governos. Um alvo, uma met...

Um presente que dure.

Hoje é dia das crianças. Quem tem crianças por perto sabe do bombardeio que elas recebem nessa época. São propagandas e mais propagandas por minuto, estimulando o desejo de ter, comprar, usar e ostentar. É sabido também que os brinquedos estão cada vez mais instigantes, coloridos, interativos e (lógico) caros. Mas será que é isso mesmo que queremos para nossos pequenos? Qual o presente que você vai dar (ou já deu hoje) para a criança que está perto? Eu faço um mea culpa, dei um presente que não é dos melhores. É de plástico e usa — ou melhor, desperdiça — água. Depois que a caixa foi aberta e o brinquedo montado, eu me dei conta. Está feito... Mas aí veio o questionamento. Se formos pensar nas respostas usuais, lembraríamos que amor, atenção e presença seriam os melhores presentes a se dar a uma criança. Contudo, para essa geração que vive no limite de uma nova fronteira ambiental, possam existir outros presentes tão importantes quanto. Educação ambiental, princípios de respeito ao pró...

Perdoar a mim mesmo.

Não li o livro, mas no filme Rezar Comer Amar tem uma cena em que o personagem de Julia Roberts, Liz Gilbert, ouve a seguinte frase de seu mentor espiritual durante sua passagem pela Índia (interpretado por Richard Jenkins): “Perdoe a si mesma.” Aquela frase me veio como um grito aos meus ouvidos. Eu presido me perdoar. Nem tudo que não deu certo na minha vida foi necessariamente por culpa minha. E mesmo nas coisas que eu tive responsabilidade total, errei na tentativa do acerto. Perdoar a si mesmo — e trocar a dor da culpa pelo alívio da lição aprendida com a falha — pode ser uma experiência libertadora. Os erros, assim como os acertos, trazem conseqüências. Fica muito mais difícil lidar com essas conseqüências e seguir a vida com o peso de uma auto-condenação. Perdoar a si mesmo tem tudo a ver com amor próprio. Logo, seu eu me amo, não vou ficar me condenando, mas sim buscar a solução e tentar achar meios de não errar novamente. Tentar. Porque nunca estarei livre de errar. Vou perdoa...

O herói e os vampiros: Um eposídio na história de Zico

Os usurpadores do Flamengo venceram novamente. Desferiram um golpe covarde em nosso maior ídolo. A torcida deve protestar de forma veemente, porém pacífica, contra estes vampiros encastelados na Gávea. O que Zico fez pela história e pela glória do Flamengo não será alcançado por estas pessoas nem se todos eles juntos mais de mil anos. Os verdadeiros rubro-negros sabem diferenciar o joio do trigo. É preciso que haja um movimento de moralização dentro e fora do Flamengo. Todas as tentativas de organizar as contas, moralizar a administração e profissionalizar o futebol são frustradas por causa desta gangue travestida de servidores rubro-negros. São, na verdade, uma grande fraude. Zico, você sempre será o nosso maior herói, o nosso Galinho de Quintino. O craque, o lider, o homem honrado, o exemplo. Eu teria um desgosto profundo não somente se faltasse o Flamengo no mundo, mas se faltasse você na história do Flamengo. Força sempre, Galinho. Muito obrigado por tudo.

Voto Cabresto Gospel

O que seria mais relevante para o Brasil? Aprovação do casamento entre homossexuais ou diminuição da violência nas grandes cidades e melhores índices de educação, moradia, saneamento básico e saúde pública? Pois bem, a turma dos pastores neo-pentecostais está doutrinando os seus respectivos rebanhos a votarem em determinados candidatos há bastante tempo. Contudo, nesta eleição a coisa passou dos limites. Talvez pela difusão causada pela Internet e pela força política e financeira que eles adquiriam, o que estamos assistindo é uma verdadeira enxurrada de mensagens, sermões e afins tentando, digamos, direcionar a escolha de candidatos. Na visão deste arremedo de cronista que vos escreve, um “pastor” deveria orientar a sua “igreja” analisar as propostas de um candidato e avaliar se aquilo será bom para o presente e o futuro de seu povo. Povo quer dizer nação e não uma parcela da sociedade que defende esta ou aquela posição. Se um governante é a favor da eutanásia, por exemplo, não quer d...

Já pra casa, menino!

Neymar, bom de bola, campeão paulista e da Copa do Brasil, garoto da Vila. Ai é que está o ponto: apenas um garoto. E bem mimado. Se não foi pelos pais na infância, tem sido pelo clube, pela mídia e pelo público. Quando Dunga não convocou nem ele — e nem o Ganso — para o Mundial da África do Sul, a coisa poderia ter dois rumos, ou o cara amadurecia e baixava a bola ou, (como ocorreu) no caso de fracasso do Brasil, se acharia o tal. Para piorar, veio o Chelsea com a mala cheia de dinheiro querendo levar o menino. Há pouquíssimo tempo, uma reportagem mostrava Neymar na auto-escola, tomando aulas de direção e parando para dar autógrafos. Há menos tempo ainda, vi outra matéria com ele dirigindo Volvo XC60 (carrão daqueles de entortar pescoços). É tudo muito rápido, da pobreza para a sobre abundância num piscar de olhos. Como garoto, Neymar joga brincando. Gramado para ele é o play. Garotos no play brincam, mas também fazem bagunça, xingam e, por vezes, saem dos limites. Só que tudo não pas...