Postagens

O Professor e o Imperador

Ontem foi anunciada a seleção que vai representar o Brasil na Copa do Mundo. Independente das opiniões se o time é bom, se tem muito cabeça-de-bagre ou se o Neymar e o Ganso deveriam estar na lista, Dunga já nos deu uma grande lição. Nos últimos tempos, a palavra coerência andou sumida. Ao responder as perguntas dos repórteres e, principalmente, ao explicar a ausência de Adriano no plantel canarinho, o técnico deu uma aula de princípios. Nesses quase quatro anos, Dunga não abandonou sua maneira de pensar como deve ser o jogador de uma seleção brasileira. Ele testou mais de oitenta jogadores e (lógico) errou em muitos dos testes. Contudo, se passarmos uma linha de medida, todos os jogadores que embarcarão para África do Sul tem um perfil parecido: foco no objetivo. A lição de Dunga nos mostra que num grupo a credibilidade de um líder está intimamente ligada a sua maneira de viver o que prega. Dunga sempre pregou o comprometimento, a vontade e o mérito. Dessas três, o mérito me ressalta ...

Racismo Metodista

Prezados leitores do ZAD, acabo de ficar sabendo de uma das maiores aberrações dos últimos tempos. Está acontecendo, na Gamboa (RJ), nos dias 07 e 08 de maio o 1º Encontro da Juventude Negra Metodista, cujo tema é “Testemunhado os sinais da graça: Resgatando a negritude na unidade do corpo de Cristo.” A divisa (texto bíblico que fundamenta usado para fundamentar esse delírio) está no livro do profeta Isaías, capítulo 18, versículo 7, teve suas palavras retiradas de um contexto completamente diferente. Trata-se de uma profecia contra a Etiópia, que na época de Isaías era um povo muito diferente do que conhecemos hoje: muito forte e (já) violento. Por falar em contexto, nada mais descontextualizado do que este encontro. O mundo deveria caminhar em outro rumo, o da união e não o da separação. Quando um grupo de acha no direito de promover um encontro somente com temas raciais, fundamentam-se em preceitos religiosos, estamos assistindo a armação de uma bomba-relógio. Luta contra o racismo ...

Entre o Barranco e a Legalidade

Depois da tragédia das chuvas, muitas famílias serão transferidas para casas populares espalhadas pela cidade do Rio de Janeiro. Nessas casas, as pessoas estarão protegidas das enchentes e dos deslizamentos de terra nas encostas cariocas. É uma boa notícia, sem dúvida, já que isso preserva vidas. A discussão sobre distância do local de trabalho e estrutura de transporte é importante, sem dúvida, mas não cabe na analise em foco. Ao entrarem nas casas oferecidas pela prefeitura, essas famílias entrarão também no mundo da legalidade e da formalidade. Eis aí a dicotomia. Antes, muitos desses núcleos familiares não arcavam com suas despesas de gás, luz, água, IPTU e tantas outras despesas que para uma grande parcela da população fazem parte de sua rotinas de pagamentos. As casas antigas funcionavam com “gatos” de energia, água e TV à cabo e o alimento destas pessoas eram oriundos de doações e programas assistenciais. E agora? Como vai ser a vida dessa gente? Qual será a reação quando chega...

De Novo...

Partida entre Palmeiras e Atlético Paranaense. Escanteio a ser cobrado, disputa dentro da pequena área, cabeçada do negro Manuel no (nitidamente descendente de nordestino) Danilo. Resultado: cusparada e xingamento, “Macaco!”. O futebol é um dos retratos 3X4 das sociedades. Temos vários exemplos. A proximidade dos gaúchos com os argentinos se reflete na hora de comemorar o gol, quando a torcida desce até os alambrados, num movimento muito similar ao dos portenhos. Nos momentos de crise econômica, os torcedores de países europeus hostilizam os jogadores estrangeiros. O craque francês Zidane encerrou tristemente sua carreira, dando uma cabeçada num zagueiro italiano, ao ser chamado de “terrorista sujo”, reflexo do preconceito com relação a sua ascendência árabe. Na quinta-feira passada não foi diferente. Basta uma situação de competição, de pressão ou de contradição e essa face feia das relações humanas é revelada. O futebol é um tubo de ensaio, um campo amostral do que ocorre na vida co...

Sobrepeso

Corintiano é um ser engraçado. Eles mesmos se dizem loucos... Ontem, reclamaram muito do Ronaldo. Xingaram o craque adiposo. Dizem que ele está perdendo muito gols e acima do peso. Parece piada, mas é verdade: estão reclamando porque o Fenômeno está gordo. Ué! Mas ele já foi para o Curíntia gordo. Mais até do que atualmente. Estão reclamando do que, então? Não era bonitinho o fofinho fazendo gol? Perdeu a graça? Como diria o saudoso Bussunda, o Ronaldo do Casseta & Planeta: Fala sério!

A Casa da Tijuca - 2: Nomes

Teve gente me perguntando o que era a tal casa da Tijuca. Teve gente que já conhecia a casa e entendeu na hora. Mas é necessário dar nome aos bois. No caso, a casa é o Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil (STBSB). As notícias que de lá saem são as piores possíveis. Uma dívida de R$ 3 milhões. Seiscentos mil reais em mensalidades atrasadas. Pasmem, os estudantes — em grande parte assistidos por igrejas batistas — são parte do problema. Salários de funcionários atrasados. Estes, por sua vez, perdem o sono, o sossego, a paz e até as casas. As dívidas crescem, as do seminário e de seus funcionários. E reclamar é proibido. Coisa do demo, já disseram... No filme Advogado do Diabo, o próprio (interpretado por Al Pacino) diz o seguinte: — O meu problema é que o assessor de marketing dEle é melhor que o meu. Sinceramente, não acredito que o cramulhão tenha um marqueteiro. Mas estou começando a acreditar que tem gente querendo assumir a função. Sim, senhores, tem gente que acha que a ins...

Mãos ao Alto, Rio!

A aprovação da emenda Ibsen pela câmara federal nesta semana foi uma bela facada nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Não sou capixaba, não moro por aquelas bandas. Portanto não me sinto à vontade para falar por parte de quem é daquele estado. Mas sou carioca até (ou melhor, desde) o osso, então me sinto no direito de falar o que penso da traquinagem aprontada em Brasília. Como não bastasse o estrago prenunciado e assinado por Ibsen Pinheiro. Dizer que é injusto o Rio de Janeiro receber os royalties de petróleo, ao invés destes serem distribuídos por todos os estados da federação é um sinal de leviandade. Mais injusto ainda é o deputado gaúcho dizer que a manifestação de 150.000 fluminenses o fez lembrar a passeata que aconteceu no Rio quando os militares tomaram o poder em 1964 e as manifestações populares contra Oswaldo Cruz. Chega a ser insultante. Ainda mais se lembrarmos dos movimentos das Diretas Já e dos “cara-pintada”, no processo de impeachment de Fernando Collor...