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"Papai, xixi!"

Pai de menina sofre. Essa não é uma afirmação machista. Mãe de menino sobre também. O motivo é simples: não existem muitos dos chamados banheiros familiares espalhados pela cidade. A gente o encontra nos shoppings mais movimentados, mas não nas grandes lojas e hipermercados. Dias desse, estava no Extra da Tijuca com a minha pequena. Tudo ia bem, até eu ouvir a seguinte frase: “Papai, xixi!”. Quem está acostumado com criança pequena sabe que isso não é uma frase simples, é quase um alarme. Carrinho cheio, na fila do caixa. Olhei para um canto esquecido e estacionei o bólido. Fui atrás de um banheiro e tinha três alternativas: masculino, feminino e de deficientes. A terceira me pareceu menos traumática. Mas essa experiência me fez lembrar o sofrimento que alguns pais têm que se submeter para poder ajudar seus filhos pequenos no momento do aperto. Outro exemplo bizarro é o Mc Donald’s. A cadeia de lanchonetes atrai as crianças com suas bugigangas e as entope com seus lanches felizes, tem ...

Haiti? Quem?

O terremoto no Haiti destruiu não só o país, mas também revelou o não construído. Em situações limite, é possível observar o nível de estruturação das instituições de uma nação. No caso haitiano, ficou comprovado que não há estrutura. Parece que nem os haitianos gostam do Haiti. Numa catástrofe dessas, um país deve ter o mínimo para prestar os primeiros socorros aos seus habitantes. É assim no Brasil, por exemplo. Temos organismos de defesa civil, contingente preparado para situações de salvamento, conhecimento tecnológico razoável e dinheiro para iniciar qualquer movimento de amparo aos cidadãos vitimados e recuperação dos locais atingidos. Já o Haiti provou ser um bando de gente (quase uma manada) cercado por fronteiras legais. Se era dependente da ajuda de outros países, agora precisa se tornar um país de fato. Pela história que tem, o Haiti é uma espécie bandeirinha de movimentos negros e de esquerda. Conversa. O Haiti é um inconveniente que não tem ideologia. Ou melhor, um inconve...

Geografia Bolivariana

"O sismo do Haiti foi um claro resultado de um teste da Marinha americana com uma de suas armas de (provocar) terremoto" Esta pérola é de Hugo Chavez, que mostrou mais uma vez ser um imbecil em altíssimo grau. Uma máquina de provocar terremotos... Uma idiotice sem tamanho. Pensa bem, Chapolim: Se os americanos têm uma máquina de fazer terremotos, por que não criaram uma para parar com os terremotos na Califórnia? Ou Chavez fugiu das aulas de Geografia, ou teve aulas com o mesmo professor que postulou a Teoria da Terra Cúbica propagada por Lula. Ninguém merece...

O Haiti não é aqui.

Hoje (para mim ainda é quinta-feira), vi na primeira página do jornal Extra uma das fotografias que mais me chocaram em toda a vida. Um homem chorava e carregava o cadáver de sua pequena filha, cuja vida foi ceifada no terremoto que aconteceu no Haiti. Talvez aquela imagem nunca mais saia da minha lembrança. Por sua agressividade e por toda a dor contida nela. Um pai impotente diante de uma tragédia sem proporções. O Haiti foi o primeiro país das Américas a se tornar independente. Um processo sangrento e sanguinário. Já que, diferentemente dos outros casos de independência na Pan-América, quem liderou o processo foram os escravos africanos, revoltados e sedentos de vingança de tantos anos de maus tratos. Um país marcado pela pobreza, pela corrupção de seus líderes e pelas catástrofes naturais. Tudo para dar errado. E deu. Um haitiano médio vive com menos de um dólar por dia, depende de ajuda humanitária de outros países e morre cedo por não ter acesso aos avanços da medicina e do sanea...

A Filha Que Eu Quero Ter

É comum a gente sonhar, eu sei Quando vem o entardecer Pois eu também dei de sonhar Um sonho lindo de morrer Vejo um berço e nele eu me debruçar Com o pranto a me correr E assim, chorando, acalentar A filha que eu quero ter Dorme, minha pequenininha Dorme que a noite já vem Teu pai está muito sozinho De tanto amor que ele tem De repente o vejo se transformar Numa menina igual a mim Que vem correndo me beijar Quando eu chegar lá de onde vim Uma menina sempre a me perguntar Um porquê que não tem fim Uma filha a quem só queira bem E a quem só diga que sim Dorme, menina levada Dorme que a vida já vem Teu pai está muito cansado De tanta dor que ele tem Quando a vida enfim me quiser levar Pelo tanto que me deu Sentir-lhe a barba me roçar No derradeiro beijo seu E ao sentir também sua mão vedar Meu olhar dos olhos seus Ouvir-lhe a voz a me embalar Num acalanto de adeus Dorme, meu pai, sem cuidado Dorme que ao entardecer Tua filha sonha acordado Com o filho que ela quer ter Os versos acima são...

Em 2010...

Ligue para aquele amigo com quem você não fala há muito tempo. Se possível, arrume uma forma de vê-lo pessoalmente. Aprenda algo novo. Ponha a cabeça para funcionar. Quando o seu time jogar, torça. Se ele ganhar, comemore com prudência. Se ele perder, lamente com bom humor (e não gaste muito tempo com isso). Se ele empatar, espere a próxima partida. Valorize seu trabalho. Ele é o que financia a maioria das coisas que você gosta quando não está nele. Ajude a quem precisa. Pode ser perto ou longe, um conhecido ou não. Cumprimente as pessoas quando entrar no elevador. Cumprimente os porteiros, serventes, recepcionistas e tantos outros que fazem com que nosso dia seja o mais normal possível. Não se esqueça: eles não são mobílias e sim pessoas. Tente entender o outro. Um pequeno esforço pode trazer grandes frutos. Faça exercícios físicos. Seu corpo agradece. Alimente-se corretamente. Seu corpo agradece de novo. Leia bons (e muitos) livros. Seu cérebro agradece. Respeite seus pais. Eles pode...

Uma mensagem de natal.

Monte sua árvore, mas não se esqueça de montar a manjedoura em seu coração. Faça do natal um momento de renovo. Lembre do menino nascido, da estrela, dos anjos, do cumprimento da promessa, da missão maior. O Cordeiro de Deus esteve entre nós. Ele nos deixou sua mensagem, nos ensinou a viver em paz, a dar a outra face, a ajudar o irmão, a visitar os doentes, a alimentar os que têm fome. Ele multiplicou os pães e peixes, curou enfermos e nos mostrou como nos despojar da vaidade e das coisas efêmeras. O menino envolto em panos veio para pregar a mensagem enviada pelo Pai. Veio na plenitude dos tempos, mostrar que devemos trocar a guerra pela conversação e a vingança pelo perdão. Ele respeitou as mulheres, as crianças, os pobres e os aleijados. De presentes, mas não negligencie o presente maior de Deus para a humanidade: seu próprio filho. Sendo assim, o maior presente que podemos dar é nosso coração em humilde súplica de reconhecimento do sacrifício do Homem-Deus, que veio a nós para vive...